domingo, 27 de março de 2011

A depressão e a sensação de pertencimento








O vídeo abaixo, que conta a história de quatro grandes cientistas, relata a  história trágica de um físico alemão que se suicidou.


Seu nome era Ludwig Boltzmann. Outros cientistas o difamaram por ele acreditar na existência dos átomos e por ter desenvolvido várias teorias inovadoras para a época. Ele, portador de uma mente frágil, não aguentou, deu fim à própria vida.


Um ano antes da sua morte, Albert Einstein havia provado a existência dos átomos. Ludwig morreu sem saber que estava certo e que seria reconhecido.

A parte do vídeo que nos interessa tem início aos 32 minutos e vai até o final. Depois eu comento.









Comentário:

Porque a descrença de outros cientistas foi fatal na vida deste físico, a ponto de deprimi-la e levá-la ao ato extremo?

Ele não tolerou o desprezo dos outros pelas suas idéias porque estava demasiadamente dependente da sensação de pertencimento.

Um bebê, ao nascer, possui uma "pequena" consciência que necessita se desenvolver. Ele se apoia nos familiares para saber quem ele é e o que são as coisas do mundo. Seu pai o abraça e diz: "vem cá meu filho..." Frases simples como esta vão demarcando seu mundo e vão nomeando a realidade. Ou seja, para o bebê é uma questão de sobrevivência a fixação no quem vem de fora. É assim que ele aprende e se desenvolve.

Junto aparece uma sensação agradabilíssima: pertencimento. Eu pertenço a algo e me sinto bem e MUITO SEGURO neste algo.

Esta necessidade de pertencimento é muito forte no ser humano imaturo. Na adolescência, quando começa a ter suas "próprias ideias", ou seja, se separa um pouco da família, o adolescente busca um grupo que lhe acolha. É só andar em um shopping que você verá bandos de adolescentes querendo ser diferentes e sendo completamente iguais. O que acontece com os adolescentes? A sensação de 
pertencimento diminui na sua relação com a família. Portanto, fica um vazio, que buscam preencher em outro lugar. Buscam em outro grupo; para pertencer a estes grupos tem que copiar o mesmo estilo, formas de agir e falar. 

Uma das mais importantes evoluções que devem acontecer com todos os humanos é a diminuição desta dependência da sensação de pertencimento fixada em algo EXTERNO. Traduzindo: à medida que a pessoa amadurece a opinião dos outros perde influência sobre ela.

Uma consciência evoluída e madura, deve buscar cada vez mais DENTRO DE SI este pertencimento. Quem não faz este processo de transição do externo para o interno sofre e fica passível de ser manipulado de várias formas.

Alguns adoecem, como foi o caso do físico. A maioria fica insatisfeita e sempre procurando soluções externas às quais possam se apegar.

Uma das formas de manipulação que a consciência imatura sofre é a idealização. O desejo por um ideal que negativiza o que é real. O que é real não é suficiente e nem razoável. A pessoa fica insatisfeita com o real; a solução é abraçar alguma ideia que o substitui. Os preconceitos e os julgamentos possuem grande força porque são ancorados nesta sensação de pertencimento.

Exemplo: se o grupo considera que uma mulher, para ser honesta, deve ficar em casa e a pessoa não concorda, ela passa a ter uma identidade diferente do grupo. Com isto diminui a sensação de pertencimento. O desprazer e a insegurança que acompanham a "perda" da sensação de pertencimento pode provocar neurose nesta pessoa ou vários outros conflitos mentais. Na maior parte das vezes as pessoas começam a desconsiderar suas próprias opiniões para voltarem a se sentir pertencendo ao grupo (sendo igual ao grupo). Traduzindo: aderem à opinião do grupo para se sentirem membros plenos do grupo.

Muitas neuroses, falta de "energia e ânimo", depressões, irritabilidade, ansiedade, etc, tem sua origem neste mecanismo: a busca por ter novamente e externamente a sensação agradabilíssima e a SEGURANÇA do PERTENCIMENTO.

Todo este processo se dá de forma semi-consciente e envolto em discursos e crenças que escondem a realidade desta dependência.

O que aconteceu com o físico foi exatamente isto: primeiro ele rompeu com as crenças de sua época. Passou décadas lutando para ser aceito; ao não atingir seus objetivos, pôs fim à sua vida.

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Uma grande parcela dos deprimidos sentem um vazio existencial muito grande. Sentem também uma falta de conexão ou desidentificação com o real à volta. Algumas vezes este processo se dá de forma muito mais sutil. Mas, é o bastante para cortar uma boa parte do prazer e da alegria com a vida.

Este texto é, portanto, um convite para que as pessoas prestem atenção nesta necessidade e vivam melhor.


PS: a sensação de pertencimento é "próxima" do sentimento de completude. Saiba mais neste texto do Blog Psicologia Racional


Conheça também a mente neutra (mente clara). Uma forma da sua mente funcionar de modo sadio e forte.


Autor: Regis Mesquita
https://twitter.com/mesquitaregis




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Um comentário:

  1. Prezado Regis, seu texto veio ao encontro de minha principal angústia, que me deixou doente (transtorno de ansiedade generalizada e consequentes crises de pânico). Tenho batalhado contra esta dependência externa de idealizações gerada por problemas de relacionamento de meus pais, principalmente durante minha infância, que me deixavam com sensação de rejeitado, sozinho, desprotegido, desacolhido.

    Busco ajudo por meio de racionalizações de meu problema (textos de psicologia, como o seu) e prática de meditação, que me ajudam a enfrentar esse vazio, essa angústia que dói "bem no meio do peito"!

    Obrigado pelo texto!

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