quarta-feira, 19 de março de 2014

O futuro e a educação dos seus filhos



Criatividade é a inteligência brincando Albert Einstein




Por Regis Mesquita


Li uma matéria no site da Revista Carta Capital, este trecho me chamou atenção:

"os manifestantes espanhóis são, em grande parte, jovens sem emprego nem condições de estudar - 45% das pessoas nesta faixa da população não têm trabalho. Eles protestam contra as medidas de austeridade adotadas para diminuir o déficit do governo, que influem nos benefícios da população, como as aposentadorias, que tiveram a idade mínima aumentada de 65 para 67 anos".

Observe bem: 45% dos jovens não tem trabalho.

A idade mínima da aposentadoria aumentou de 65 para 67 anos - no Brasil tem muita gente que se aposenta com aproximadamente 45 anos (professores, militares, etc). Dá-lhe imposto para pagar estas pessoas.



Voltando para os jovens: aqui no Brasil, na classe média, o desemprego deve estar em torno de 30%. Se pensarmos nos empregos mal remunerados, chegamos a mais de 50%.

Os pais trabalham, pagam ótimas escolas, colocam no curso de línguas e a chance do filho ficar desempregado é de 30%. Isto em plena arrancada econômica.

Minha opinião:

- somos um país com muita dificuldade em inovar

- dificuldade de desenvolver projetos de longo prazo

- dificuldade de focar prioridades

baixa exigência quanto a eficiência.

Quando os pais educam seus filhos acabam repetindo este mesmo padrão.

Vou ser claro: o mundo não está apenas mais competitivo. Ele está mais excludente. Esta é a nova variável. A pessoa tem que saber se virar. Hoje, cria-se filhos que não sabem se virar: são crianças criadas protegidas e em ambientes onde o dinheiro é o polo mais importante: shopping, aula de inglês, tênis, luta, academias, etc.

Tudo é permeado pelo dinheiro, tudo é comprado e QUASE NADA É CONSTRUÍDO.





O mundo excludente simplesmente exclui grande parte dos que seguem este caminho. Observe que não está excluindo quem não tem estudos ou não tem preparo formal. Os excluidos são pessoas teoricamente "bem preparadas".

 A maior parte das pessoas pensam que a única saída é se preparar com mais estudos - fazer mais cursos, participar de mais palestras, etc.

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Dez entre dez desempregados de classe média que chegam ao meu consultório sonham em fazer mais cursos para aumentar sua empregabilidade (o que em parte é verdadeiro) ou pensam em montar um negócio próprio. O perfil é sempre o mesmo: bons filhos, boas escolas, bons lazeres, etc. Tudo bom, mas deu errado.

O erro começou na infância - no baixo grau de exigência com o filho. O correto é que na escola, uma criança com boa inteligência, tem que tirar dez, no mínimo nove. Para aprender mais, e principalmente para desenvolver a capacidade de disciplina, concentração, tolerância à frustração, determinação, etc.

Segundo: nenhum destes jovens desempregados conseguem focar prioridades. E quando focam, não conseguem "ir fundo". Apesar de tantos anos tratando destas pessoas, ainda me surpreendo com a dificuldade destas pessoas em focar e  conseguirem andar "com as próprias pernas". Foram criados para ter alguém dizendo o que fazer - agora você vai fazer isto, ler a lição tal, usar a roupa tal, gostar de tal coisa. É a geração mais sem reação que surgiu até hoje. São seguidores (fazem parte da Geração Seguidora - clique no link na lateral esquerda do site e saiba mais).

Como o mercado de trabalho formal está afunilando, o que sobra são áreas da economia que dependem muito da capacidade de inovação, força pessoal, determinação, foco, planejamento de médio e longo prazo e desenvolvimento de vocações. Poucos estão bem preparados para este mundo novo que está expandindo cada vez mais.

Os pais se preocupam que os filhos saibam falar dois idiomas, além do português. Dizem que vai ser importante no futuro. Bobagem! Basta saber MUITO, MUITO bem português e inglês. Aliás, mil vezes mais importante do que saber alemão, francês ou outra língua é o sujeito (se tiver vocação) participar (por exemplo) de teatro, tentar redigir e/ou improvisar peças ou trechos de peças.

O que importa é a POSTURA: o sujeito não pode ser só consumidor, tem que ser criador.

Sabe o que significa consumidor? Consumidor é aquele sujeito que vai na agência de turismo, compra o pacote e passeia onde a agência o leva. Ele paga para ser conduzido aos lugares de interesse da agência (que nem sempre coincide com os interesses dele). Ele visita 40 igrejas na Europa, cada uma com sua arquitetura e sua rica história. Na décima igreja ele não aguenta mais, porque ele não se interessa por arquitetura de igrejas, não conhece a história - mas é ali que ele vai passear. Como é um seguidor, vai onde mandam, faz o que orientam, é educado e até toca samba porque é um imitador.

Não há problema em ser consumidor. O problema é nunca ser criador. É nunca dizer palavras como esta: "quero tocar violão, se não tenho dinheiro, vou aprender sozinho". Este sujeito vencedor decide sofrer, enfrentar dificuldades, tentar e não consegue e tenta de novo - após meses de esforço, começa a tocar violão. Esta pessoa desenvolve foco, planejamento, AUTODETERMINAÇÃO, capacidade de criar, tolerância à frustração, etc.

Mesmo o mundo sendo excludente existe um oceano de oportunidades para as pessoas, desde que elas sejam criadoras, inovadoras, capazes de planejar e gerenciar projetos para atingir objetivos maiores. Busque desenvolver estas qualidades em seus filhos, o planeta agradece.


PS: na era da informação abundante não é a informação o diferencial. O diferencial é a capacidade da pessoa de transformar as informações em ação.

Autor: Regis Mesquita
https://twitter.com/mesquitaregis





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Para refletir:


Querer o que é fácil não é o problema.

O problema é desanimar quando tem início as dificuldades.

A vida foi planejada para que os vencedores sejam os que a enfrentam com intensidade.

Por isto, a pior desistência é aquela que fica escondida na baixa dedicação e na pouca eficiência.

Estes batalham e pouco conseguem.

Treine sua mente para que tenha a determinação de superar toda e qualquer dificuldade.

Você se fortalecerá e tornará fácil superar desafios que antes era muito difícil.

A evolução do espírito é tornar fácil o que antes era difícil. Atinge-se esta meta através do aprendizado e da disciplina.

Quanto mais evoluído, mais preparado para enfrentar com paz no coração os desafios da vida.


Regis Mesquita

Texto baseado nos ensinamentos do livro Nascer Várias Vezes










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