quinta-feira, 28 de julho de 2011

Segurança básica: a razão pelo qual todos querem ser amados e reconhecidos. Até os ateus também querem ser amados








Por Regis Mesquita

Desde a concepção e, principalmente, logo após o nascimento, o bebê humano precisa do outro para saber quem ele é.

Estes primeiros momentos da vida humana são determinantes para a satisfação e segurança que ele sentirá na vida adulta.

Funciona assim: um adulto aproxima-se de um bebê e tem um surto de infantilização. Fala com o bebê com a voz mudada, abraça-o, aperta, fala um monte de coisas boas para ele, cobre a criança de beijos. Fala coisas assim: "bebezinho da titia, eu te amo muito, te amo, etc". Neste momento, o instinto de defesa do bebê "desconecta" o padrão luta ou fuga (stress) em sua mente e entra em um "estado de espírito" de entrega, aceitação, relaxamento, satisfação. Assim se forma a importantíssima SEGURANÇA BÁSICA.
Este processo, repetido milhares de vezes, torna o que o OUTRO fala, sente e faz extremamente importante na vida humana. Somos dependentes da visão dos outros para conosco. A vida adulta e a velhice servem para diminuir o peso do outro em nossa segurança básica.


Nós construímos máscaras sociais para agradar as pessoas e comunicar algo que consideramos importante para elas. Somos recompensados ou punidos de acordo com a eficiência das máscaras. Construímos grupos de amigos que nos ajudam a manter a identidade (quem somos). Escolhemos empregos, roupas, valores, etc; fazemos tudo para manter a segurança básica. Para mantê-la é preciso ter certeza de que se é reconhecido, observado, amado, gostado ou RESPEITADO.

Queremos ser respeitados, dizem os ateus em uma campanha publicitária. É o mesmo que dizer: queremos que vocês nos vejam com bons olhos. Precisamos que vocês nos aceitem.

O que faz uma pessoa "bem de vida" necessitar do respeito de alguém que ele nem conhece? Porque isto é tão importante?

A sensação de respeito está ligada à segurança básica. Gera aquele bem estar que descrevi antes: entrega, aceitação, relaxamento, satisfação...

Este processo de entrega é tão importante que está relacionado até com o sexo. É a entrega que poderá transformar uma simples ejaculação em um orgasmo poderoso - se a entrega for total a satisfação do orgasmo pode durar horas.

Pois bem: ateu também quer reconhecimento, quer amor, quer simpatia. Somos e sempre seremos seres sociais. Nosso corpo está planejado para funcionar bem com a socialização. Nosso corpo inteiro, não só a mente. O sistema imunológico, por exemplo, é altamente influenciado pela segurança básica.

Não existe nada melhor do que olhar, tocar, observar quem você ama e depois abraçar, beijar, ter carinhos... Se sentir aceito, gostado amado e RETRIBUIR. Esquecer de tudo, perder as palavras... e ainda assim se sentir pleno. Esta segurança permite a abertura da mente para estados alterados de consciência.

A segurança básica começa a se formar no útero e ganha força nos primeiros meses após o nascimento. Depois a usamos para tudo: amor, sexo, meditação, descanso, amizade, etc.

O mundo está  cheio de ateus honestos, bons, trabalhadores. Acreditar em Deus não define caráter. Ninguém precisa acreditar em Deus para ser uma pessoa boa e justa. Aliás, Deus não é a religião e nem a religião é Deus.

O preconceito contra os ateus é tão grande que: "criada em 2008, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) teve negados seus pedidos para manifestar sua falta de credo em anúncios nos ônibus de São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis a partir do fim do ano passado" (UOL). Ou seja, não quiseram o dinheiro dos ateus. Aceitam até propaganda enganosa, mas não propaganda de ateu.

Eles, os ateus, querem dizer: "somos bebezinhos como vocês. Queremos ser gostados, ouvidos, respeitados. Queremos desligar nossos sistemas de autodefesa, para poder ter a mesma satisfação profunda que vocês. Também queremos brincar".


Usei este exemplo para mostrar a vocês um traço da personalidade humana (segurança básica) que é constantemente desprezada. A falta de segurança básica está relacionada ao aumento da depressão, do pânico, das excentricidades, e outros problemas.

Cada vez que a criança NÃO cria um vínculo afetivo com um brinquedo, com um amigo ou uma roupa (por exemplo), ela se afasta da segurança básica. Sem vínculo afetivo, ela fica com o sistema de autodefesa em alerta máxima, ou seja, em stress muito alto. Ela passa a viver superficialmente, com medo, ansiedade, com medo do fracasso, com medo de ser "abandonado" ou desprestigiado. A solução: passa a imitar os outros ou a moda para não ter que ser ele mesmo; imitando, ele não precisa olhar para o vazio interior que se formou.

Padrão típico destas pessoas: tem medo de dizer "eu te amo" ou "eu gosto de você". Mas, é craque em beijar quem nem conhece. Mas... se for para beijar quem ele gosta, fica difícil, muito difícil.

Esquisita esta escolha, não é?

Para saber mais da campanha dos ateus: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-outdoors-da-atea


Autor: Regis Mesquita
https://twitter.com/mesquitaregis



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