quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Educação: exigir eficiência dos nossos filhos






Por Regis Mesquita


Se você é pai, saiba que existe um pai muito maior que você, e não é Deus. É a cultura. Cada cultura facilita o desenvolvimento de determinadas habilidades e dificulta outras.

Vamos entender a cultura brasileira? Vou citar dois exemplos dos modelos mentais que dominam nossa cultura.


a) a dona de casa precisa contratar um encanador. A preocupação dela será encontrar um encanador eficiente e que NÃO estrague outras coisas enquanto concerta os canos. Ou seja, salvo exceções, temos grande dificuldade de encontrar profissionais (de todas as classes sociais) eficientes. A imensa maioria é pouco empenhada em focar o problema e resolvê-lo.

b) o nordeste do Brasil, 40 anos atrás. Um senhor pegou alguns bambus e fez um sistema de coleta de água da chuva. Foi ridicularizado pelos vizinhos. Continuou sendo ridicularizado mesmo quando só ele tinha água em casa, na época da seca. Por causa da crítica, vendeu o sítio e foi morar em Campinas.

Traduzindo: a cultura brasileira é extremamente crítica. Tem uma compulsão por negativizar, principalmente quando há inovação, quando há projetos de longa maturação ou quando há experimentação com a finalidade de aprendizagem. Esta característica profundamente negativa faz com que talentos e competências não sejam desenvolvidos. Cria-se um "medo" de se expor, principalmente de aprender.

Este medo de se expor para aprender e desenvolver faz com que sejamos os campeões de cirurgia plástica (não aceito ser como sou) e campeões no consumo de muitos psicoativos (não suporto ser eu mesmo).


Faz parte da genética humana a inovação e a auto-expressão. Isto é fundamental para a felicidade e satisfação humana. Estes mecanismos são mais importantes ainda para desenvolver a atenção e a eficiência.

Estudar é errar e acertar. É a aceitação do desafio de se expressar, podendo falhar dezenas de vezes. Uma criança cujo "pai cultura" é crítico e desmotivador da auto-expressão será constantemente boicotada. A criança tenderá a se desmotivar e ficar desatenta.

A crítica e a negativização desmotiva todo mundo. Os professores também terão a tendência de dar menos exercícios ou exigir menos; pois a tarefa de aprender é focada na expressão e o modelo mental desestimula isto.

Basicamente: os brasileiros param exatamente no momento que deveriam persistir.

Desistem exatamente no momento em que deveriam dar intensidade.

É a reprodução (sutil) do modelo mental que fez o senhor nordestino mudar de cidade. No momento em que ele poderia aperfeiçoar seu sistema de coleta de água da chuva, ele desistiu. Exatamente quando ele poderia ter os maiores benefícios da sua "invenção", ele a abandonou. Este modelo mental funciona na escola, funciona em casa, na empresa, em todos os lugares.

Funciona dentro da sua mente, mesmo que você não o reconheça.

Qual a solução? Dar intensidade a todos os atos.

Isto significa planejar, determinar qual(is) os objetivos e se esforçar para a atingi-los. Deve-se incentivar as crianças a errar, aplaudi-las quando errarem - DESDE que estejam agindo com método, lógica e racionalidade. A mensagem deve ser: "vocês estão se aproximando de algo legal que é o objetivo, não desistam, não tem problema errar. Continuem! Persistam!"


O usufruto é muito maior quando o aprendizado chega à um nível de organicidade. É a história do ferreiro que depois de décadas de trabalho sabe onde e com que intensidade bater no ferro.  Ele faz isto com menos desgaste mental e maior eficiência.

Se uma criança quer aprender a tocar violão, deve-se estabelecer objetivos reais e metas de estudo que permitam chegar ao nível em que tocar violão será uma fonte de prazer e alegria por muitas décadas. A organicidade permite isto, décadas de satisfação. Se por acaso tiver um talento especial, o nível do objetivo pode ser aumentado. JAMAIS a meta inicial pode ser menor do que ter um nível de conhecimento que permitirá tocar bem, “tirar” músicas sozinha, desenvolver bastante a musicalidade e ser satisfeito com o SE É.

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Esta criança deve chegar à adolescência curtindo seu violão, tocando feliz e tendo a exata percepção (recompensa) de que fazer bem feito é a melhor estratégia da vida.

Fazer bem feito e ter organicidade permite com que as pessoas sejam mais satisfeitos com o que REALMENTE SÃO. Elas precisarão de menos simulação, menos mentira e menos uso de objetos de desejo que lhes  propiciem um senso de pertencimento.

Ser eficiente combate doenças mentais, desenvolve a atenção, diminui o stress, estimula vários tipos de inteligência.
Se a pessoa for eficiente em várias áreas da vida, terá uma vida de felicidade e quando vierem as provações terá mais facilidade em superá-las.

O padrão de exigência deve ser a atingir a eficiência naquilo que a pessoa decidiu aprender. Nada menos do que isto.

O que é eficiência? É capacidade de fazer bem feito, resolver os problemas com facilidade, gerar soluções e propiciar bem estar. Em outras palavras, a criança que está aprendendo tocar violão deve atingir a meta de tocar bem e trazer satisfação para si e para quem escuta.

Não pense que você está imune ao "pai cultura", por isto é fundamental ficar muito atento e combater o "lado negro" da cultura brasileira que vive dentro de você. Uma das formas mais comuns deste "lado negro" funcionar é estabelecendo metas e objetivos medíocres ou nem sequer estabelecer metas claras.

Esteja sempre atento, pois tudo o que faz parte da cultura de um país é muito poderoso dentro da mente das pessoas.


Autor: Regis Mesquita
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