sábado, 8 de outubro de 2011

A era do equilíbrio e do auto-controle e os remédios "para emagrecer" proibidos





Regis Mesquita


A Anvisa (que regula o uso de medicamentos no Brasil) proibiu o uso de três emagrecedores produzidos à base de anfetaminas - anfepramona, femproporex e mazindol. Estas drogas, que a classe médica gosta de dar o nome de remédios, já estão proibidos nos principais países do mundo.

Estão proibidos por dois motivos simples: fazem mal à saúde e tem uma baixíssima eficácia.

“Se vários países tiraram [do mercado] com base em evidências científicas, não podemos ignorar essas evidências. Se eles têm cuidado com as populações deles, temos também que ter com a nossa. Essas substâncias devem ser retiradas nos mesmos moldes das outras [anfetamínicos]”, disse o ex-ministro da Saúde, acrescentando que não existe protocolo clínico no mundo que recomende o uso do remédio". (Fonte: Agência Brasil 247) - aqui o ex-ministro se refere à sua opinião de que também deveria ser proibida a sibutramina.

Muitos médicos, inclusive o Conselho Federal de Medicina, reclamaram: "Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), os remédios auxiliam no combate à obesidade e, se banidos, reduzem as possibilidades de tratamento para quem precisa perder peso". Algumas entidades até prometeram entrar na justiça contra esta decisão da Anvisa.

É verdade que reduz as possibilidades de tratamento. E daí? A eficiência é baixíssima, o risco é alto. Tanto é que as pessoas que passam por estes tratementos acabam engordando mais, após algum tempo. Vendem ilusão, e vendem bem caro.

Além do que, para muitas pessoas é a porta de entrada para o vício em drogas. Podem levar à dependência, podem viciar. 

Normalmente são prescritas sob a forma de fórmulas que são verdadeiros coquetéis. Uma droga para tentar aliviar o efeito colateral da outra.

O que acontece? Os pacientes rodam de médico em médico, de fórmula em fórmula, alguns se perdem no vício e ninguém nunca é punido. Pior, permanecem gordos e insatisfeitos com a aparência. E ainda com a saúde mental abalada.

Vamos olhar este problema por outro ângulo.

Estamos em uma era em que os instintos estão mais aflorados. O que é ÓTIMO. É um passo a mais para a evolução da sociedade.

Isto significa o seguinte: antes a pressão social tornava as pessoas mais iguais. Tinha o jeito certo de sentar, o jeito certo de se vestir, etc. A repressão para a adequação social era mais clara e evidente.

A pressão social mudou sua forma de ação. Ao invés de ser o não (não pode isto, não pode aquilo), é a venda de desejos e vontades (se você ficar magra você ganhará isto ou aquilo de recompensa).  A "venda de desejos bloqueia menos os conteúdos internos do a repressão, isto torna menos complicado seguir a própria vocação, expressar seu modo de ser e exercer sua personalidade. Todavia, algumas pessoas se perdem, porque o que tem dentro delas é ruim. Outras se encontram, porque podem descobrir suas vocações, podem ser elas mesmas.

Antes tinhamos a repressão (ela ainda existe, mas em grau menor). Agora temos a "venda" de desejos e ilusões. Os mais sábios buscam ter o equilíbrio e o auto-controle, ou seja, não participam deste "jogo" de venda de desejos.

A mente da maior parte das pessoas ainda está buscando fora aquilo que devem buscar dentro. É uma fase de aprendizado e de transição rumo à uma sociedade onde os desejos serão colocados em segundo plano. A prioridade será expressar a própria vocação, usufruir do presente e do que já possuímos e já somos. Como sempre, algumas pessoas seguem mais rápido, outras caminham mais lentas, e outras ficam paralisadas sem saber o que fazer.

É por isto que encontramos tantas pessoas com vidas que poderiam ser ótimas se torturando por causa da auto-imagem. Elas se permitem viver pior, se permitem piorar a própria vida porque estão paralisadas e só sabem ser assim. Aprisionadas do desejo, elas procuram algo que resolva suas vidas e encontram a ilusão e sua acompanhante droga.

Estas drogas para emagrecer são formas de buscar uma repressão externa a si mesmo. Uma forma química de repressão. É o famoso: "eu não me controlo, preciso de alguém ou de algo que mande em mim. Se tiver algo ou alguém para resolver meus problemas vou viver muito melhor".

Elas buscam uma "ajuda" para continuarem a se massacrar internamente. 

A força interna é muito maior que a força destes produtos químicos. Elas voltam a ficar obesas. Aliás, a maioria nem sequer deixa de ficar obesa. Criam manias, geram rancores, cultivam dissabores, perdem grande parte do sentido da vida.

Elas criam mais sofrimento porque escolhem o caminho errado, cultivam aquilo que é oposto às suas necessidades evolutivas e mentais. O resultado só pode ser ruim, pois todo processo é ruim.

É a lógica!

O que fazer?

Assumir a própria realidade e dar a devida dimensão a cada parte da vida. Este é começo de um processo de mudança e treinamento mental que deve ser feito para romper com o jogo de desejos que enfraquece a pessoa e a torna dependente do que é externo.

Portanto, o primeiro passo é romper com a ilusão de ter algo que te carregue na vida. Este algo te arrebenta, te destrói, depois te dá "alguns tapinhas nas costas" de incentivo. É muito pouco, você merece mais. 

No blog Caminho Nobre você encontra uma série de textos que mostram como funciona a mente reativa e os desejos que te controlam. Existem alguns exercícios e a filosofia que embasa o treinamento mental. No site Psicologia Racional tem inúmeros textos tratando destes mesmos assuntos. Te oriento a estudá-los e praticar as dicas.

Textos como este abaixo explicam o desejo, você pode fazer a ponte com sua própria vida.

O menino que não sabe ser feliz (desejos criando sofrimentos)




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Regis Mesquita Leituras:
http://mesquitaregis.tumblr.com/



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