quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O preço da vida das pessoas na miséria e na ausência de justiça. Quem pode mudar a situação de injustiça e miséria?




Tu és metade vítima e metade cúmplice, como todos os outros. Jean-Paul Sartre Anarquismo



Amigos do site Psicologia Racional,

o texto abaixo, do blog do Sakamoto, é uma radiografia da forma como agem e pensam as pessoas em ambiente de pobreza e ausência de leis.

A miséria econômica, educacional, espiritual, judiciária, policial... A falta de amor e respeito por si, pelos familiares e pelos semelhantes.


" A discussão sobre o valor de uma consciência tranquila do post anterior me lembrou de cinco casos em que gente pobre foi tratada como commodity ou peça de reposição no Brasil. Olhando para eles, você pode se perguntar: por que a vida tem pouco valor por aqui? Simples: porque o povão não investe, como deveria, em marketing pessoal.

1) Moradores da periferia de Recife vendiam seus rins para transplantes na África do Sul. Ao todo, 38 pernambucanos fizeram “negócio” com a quadrilha até o esquema ser descoberto pela Polícia Federal. Os primeiros receberam R$ 8 mil por cada órgão. Mas a procura para ser “doador” cresceu tanto que os traficantes passaram a pagar só R$ 4 mil.

2) Uma mulher abandonou seu bebê de oito meses após não conseguir vendê-lo por R$ 100,00 para comprar crack. O Conselho Tutelar, em Maceió (AL), recebeu a criança e entrou em contato com a família, que também não quis mais a criança.


3) Em Eldorado dos Carajás (PA), um garimpeiro comentou que o bordel que frequentava só tinha “puta com idade de vaca velha”. Ou seja, de 12 anos. Para levar, de R$ 20,00 a R$ 40,00. Enquanto isso, em um posto de combustível, entre o Maranhão e o Tocantins, meninas franzinas usavam a voz de criança para oferecer programas. Por menos de R$ 30,00, deixavam a inocência de fora das boleias de caminhão. Entre os dentes, rangiam-se reclamações. Afinal, antes era mais barato.

4) Em uma fazenda no Sul do Pará, havia uma espécie de tabela para partes do corpo perdidas no serviço. Um dedo valia X, um braço Y, uma perna Z. Se a pessoa morria, contudo, o valor que a família receberia de indenização era menor que se as partes fossem perdidas uma por vez. Ou seja, o todo valia menos que as partes.

5) Antônio foi comprado por um fazendeiro para limpar pasto e ampliar fazenda, derrubando floresta amazônica. Preço: R$ 80,00. Quase um órfão do crack. Mais do que sexo oral com uma menina de 12 anos".






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Comentário:

Não existiria a escravidão se não houvessem escravos que aceitam se submeter à escravidão. A escravidão é um hábito e uma ideologia. Pessoas aderem a hábitos e ideologias e se acostumam com a vida que possuem (veja abaixo texto de Enrico Malatesta).

Alguns miseráveis vivem vidas catastróficas e precisam de apoio. Com o apoio muitos conseguem forças para superar suas vidas miseráveis. Outros não conseguem.

Quando alguns superam a miséria, a cultura forma outros miseráveis. É uma reposição sem fim (para cada criança livre da prostituição outra aparece no lugar). É por isto que as soluções não podem ser individuais, é através da luta social que este padrão pode mudar.

A escravidão legalizada no Brasil não acabou porque os senhores de escravos se conscientizaram. Nem porque a imensa maioria dos escravos buscou a liberdade. Não, por eles continuaria tudo igual.

A escravidão legalizada acabou porque uma minoria lutou JUNTO. Esta minoria que lutou JUNTO se fez mais forte do que a religião, o direito à propriedade, os costumes e o valores culturais.

As leis de respeito aos animais também são fruto da luta de uma minoria. As leis de acesso à educação pública e obrigatória também foi fruto da luta de uma minoria. Sempre foi assim que a humanidade mudou.

Quando estiver em minoria lembre-se disso: não desanime e nem se isole. Lute JUNTO. Isolar-se é o caminho que te levará à derrota.

Você pode ajudar as pessoas; somente elas podem mudar radicalmente suas vidas.

Lembre-se: a miséria não é só a miséria física. A pior é a miséria ideológica e dos sentimentos. Algumas pessoas, por exemplo, tornam-se escravos do status e do consumismo.


Regis Mesquita
https://twitter.com/mesquitaregis



Leia também:

No Brasil existem escravos? Existem, sim senhor.

Miseráveis do Bolsa Família tem menos filhos. Bolsa Família ajuda a diminuir a taxa de natalidade dos beneficiários.

Paciência para aprender com a realidade: o caso do programa Mais Médicos

A compaixão como forma de autoproteção psíquica

A dura luta do Brasil para usar com equilíbrio o dinheiro público

O caminho do dinheiro. Da ditadura militar ao PROUNI

O discurso do presidente Obama sobre impostos e deduções nos EUA. Para o Brasil pensar!

Fuja da Ilusão do Individualismo para não bloquear sua evolução espiritual

Uma sociedade evoluída espiritualmente possui ótimos recursos de acolhimento e ajuda mútua

Sou o responsável pela minha vida



Para refletir: Texto de Enrico Malatesta

O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite, através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível.

Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão.



Miséria da vida complicada:

"Aliás, a tecnologia, que deveria ser libertadora do trabalho, tem tido esse efeito contrário. Imaginava-se que, com máquinas que executam trabalhos de centenas de pessoas, a carga de trabalho diminuiria radicalmente, sobrando mais tempo para a vida própria, a prática de atividades artísticas, esportivas, culturais e tudo que é agradável. Mas o que tem acontecido?" (Fonte)



Vida é o que acontece lá fora, enquanto você fica aí dentro fazendo planos. John Lennon liberdade





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