quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Aliaa Elmahdy, mulher egípcia, a coragem necessária para ser livre. A vida da mulher no islamismo torna-se muito difícil quando ela tem que enfrentar problemas.



Mulher egípcia protesta para poder decidir sua vida






Berna (Suiça) - Ela se chama Aliaa Magda Elmahdy, é egípcia e decidiu enfrentar os islamitas que, pelo jeito, se apropriaram da « primavera árabe ».

Ameaçada de morte, essa jovem de 20 anos, ainda com cara de adolescente, tirou toda roupa e nua desfechou seu ataque contra os fanáticos muçulmanos, capazes de acabarem com todos os direitos das mulheres conquistados, no século passado, pela mulheres egípcias e mergulharem o Egito numa Idade Média corânica.

« Eu reivindico minha liberdade sexual, o direito de não me casar, meu ateismo. As mulheres devem poder viver sua vida como bem entendem », é o desafio lançado por Aliaa.

Se fosse na França medieval, ela seria queimada na fogueira como filha do diabo ou feiticieira, pelos religiosos católicos da Inquisição. Mas a Idade Média cristã-ocidental acabou com a modernização do cristinianismo decorrente dos movimentos da Reforma, de Lutero a Zwinglio e Calvino, e seus estertores foram provocados pela Renascença e pelo Iluminismo, com o laicismo sacralizado pela Revolução Francesa.


Entretanto, no mundo religioso árabe, sem uma central religiosa ditadora dos dogmas, como o Vaticano, ainda é difícil se esperar uma modernização e uma leitura liberal do Corão, para se chegar à moderação e a uma separação do poder divino e poder temporal como aconteceu na Europa. Além disso, a divisão entre sunitas e xiitas (minoritários), é relativizada pela ascenção dos integristas que pregam o retorno à chariá, a aplicação literal da lei do Corão, uma lei que poderia ter seu lugar naqueles anos do VII século, mas hoje é uma lei cruel e desumana.

Por que a importância do desafio de Aliaa Magda Elmahdy ? Porque a tendência hoje, nos países transformados pela « primavera árabe » é a do poder político ser tomado pelos Irmãos Muçulmanos, movimento integrista combatido na tentativa panarábica do líder laico, anticolonialista e não religioso Gamal Abel Nasser. Para Nasser, a tentativa frustrada de unificação árabe visava criar uma frente contra os países colonialistas, Inglaterra e França principalmente, para desenvolver os países árabes.

Os integristas de hoje estão conseguindo a unificação árabe pela religião e, embora os inimigos sejam praticamente os mesmos, os ocidentais, mas as consequências serão desastrosas. O integrismo islamita se alimenta da pobreza, já que os donos do petróleo não souberam distribuir a riqueza nem instaurar regimes com participação popular.

A instauração da chariá é o retorno literal aos preceitos do Corão com punições físicas, tortura e morte, em nome de uma rigorosa moralização dos costumes. E as principais vítimas são as mulheres, que retornam a ser meros objetos, obrigadas a cobrir todo o corpo a fim de não tentarem os homens. Justamente quando estavam conquistando alguns dos direitos mais que comuns entre as mulheres ocidentais.

Evidentemente, existe a exceção turca, país muçulmano que optou pela laicidade, na queda do Império Otomano. O risco é o dos islamitas, usando de força e inquisição, acabarem com sociedades muçulmanas liberais como a existente na Tunísia. Quanto ao Egito, parece já ter o destino selado, devendo ser proibido mesmo às turistas se bronzearem nas praias.

Em termos futuros, basta se imaginar a presença de governos teocráticos islamitas em frente à Europa, do outro lado do Mediterrâneo. Sem se contar a atual presença islamita dentro da Europa. E o mais absurdo é que foi o próprio Ocidente o autor desse quadro – a destruição do Iraque de Sadam Hussein e da Líbia de Kadafi foram o equivalente a retirar as barreiras que continham os xiitas do Irã e os Irmãos Muçulmanos do Egito. Abriu-se a Caixa de Pandora.


Autor: Rui Martins

Fonte: Blog Direto da Redação




Comentário do site Psicologia Racional:


Esta mulher tem muita coragem. Revelou um grande problema das mulheres ao redor do planeta: o direito de decidir a própria vida sem ser incomodada por ninguém.

Outras mulheres também estão lutando, com outros recursos. Algumas clamam pelo direito de dirigir automóvel (o que é negado em muitos países islâmicos), outras exigem ter o mesmo direito de herança que seus irmãos (a mulher recebe uma herança menor, segundo as leis islâmicas) ou que seu testemunho frente a juízes tenha exatamente o mesmo valor que o testemunho masculino, etc.

Um texto interessante sobre o momento atual do islamismo é este aqui.

Uma mulher que vive bem com o marido e com a família em paz e harmonia não sentirá muita falta de seus direitos humanos básicos nestas sociedades. Pois o respeito e o amor em família será muito recompensador.

O grande problema acontece quando existem pessoas ou situações desequilibradas. A democracia permite que esta mulher tenha como reagir e se defender. Nestas sociedades, não. Ou melhor, a capacidade de reação desta mulher é tão baixa e a punição tão alta que a imensa maioria aceita sua sina de infelicidade e sofrimento. É melhor sofrer calada para não ficar pior. Correr risco de perder a guarda dos filhos, por exemplo, por não aguentar mais ser humilhada pelo marido e se separar, é uma punição gigantesca. São dezenas de mecanismos de punições para a mulher que vive mal e deseja decidir seu próprio caminho, o que impede um novo começo e a construção de uma felicidade plena e duradoura.

Sociedade democrática, que respeita a autodeterninação das pessoas, é importantíssima para todas as pessoas. É especialmente importante para permitir que pessoas que estão frente a situações terríveis possam escolher outro caminho.


A democracia e o respeito às liberdades individuais é o melhor caminho. Você, que as vezes reclama, saiba que tudo pode ficar pior sem o respeito aos direitos humanos.



"As sociedades democráticas são sociedades nas quais conflitos podem aparecer, podem ser encarados de frente e podem ser resolvidos positivamente. Ou seja, são sociedades que permitem e facilitam às pessoas recomeçarem a vida e seguirem suas vocações. São sociedades nas quais as pessoas são mais facilmente aceitas e respeitadas em suas individualidades e em seus desafios".

Trecho do livro Nascer Várias Vezes


Um comentário:

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