terça-feira, 21 de agosto de 2012

A contaminação do corpo humano por produtos químicos







"O urso polar vive completamente afastado da civilização. As vastas extensões de neve e gelo de que ele tem necessidade para sobreviver não são propícias ao desenvolvimento urbano nem às atividades industriais. Entretanto, de todos os animais do mundo, o urso polar é o mais contaminado pelos produtos químicos tóxicos, a ponto de seu sistema imunológico e sua capacidade de reprodução estarem ameaçados. Este grande mamífero se nutre de focas e de grandes peixes, que se nutrem por sua vez de peixes menores, os quais comem peixes ainda menores, plâncton e algas.

Os poluentes que nós despejamos em nossos rios - grandes e pequenos - terminam todos dentro do mar. Muitos são “persistentes”, ou seja, não se decompõem em elementos assimiláveis pela biomassa da terra ou dos mares. Em vez disso, eles contornam o planeta em alguns anos e vão se acumular no fundo dos oceanos. Acumulam-se também no organismo dos animais que os ingeriram (são bioacumulativos) e têm uma afinidade especial com as gorduras - diz-se que são lipossolúveis. São encontrados, portanto, na gordura animal. Primeiro na dos pequenos peixes, depois na dos grandes que comem os pequenos, depois na dos que comem os grandes peixes. Quanto mais elevados na cadeia alimentar, mais a quantidade de “POP” (poluentes orgânicos persistentes) na gordura aumenta. O urso polar se encontra no topo de uma cadeia alimentar que está contaminada em cada etapa. Fatalmente, ele é o mais atingido pela concentração progressiva - a biomagnificação - dos poluentes do meio ambiente.

Existe um outro mamífero que ocupa o lugar de honra no cimo de sua cadeia, cujo habitat é ainda por cima claramente menos protegido do que o do urso polar: o ser humano.


Daniel Richard é o presidente da filial francesa da maior associação ecologista do mundo, o WWF (World Wildlife Fund). Richard é apaixonado pela natureza. Ele vive há 12 anos na Camargue, à beira de uma reserva natural muito protegida. Quando, em 2004, o WWF lançou uma campanha - insólita - para medir a taxa de diferentes produtos químicos tóxicos no organismo de pessoas, ele se ofereceu como voluntário. Atônito, descobriu que carregava no corpo perto da metade dos compostos testados (42 sobre 109). Quase tanto quanto os ursos polares. A que ele atribui? "Eu sou um carnívoro”, respondeu.



Na mesma pesquisa, 39 deputados europeus e 14 ministros da Saúde ou do Meio Ambiente de vários países europeus foram testados. Eram todos portadores de doses significativas de poluentes cuja toxicidade para o homem é comprovada. Treze resíduos químicos (ftalatos e compostos perfluorados) foram sistematicamente encontrados em todos os deputados. Quanto aos ministros, eles apresentavam, entre outros, 25 traços de produtos químicos idênticos: um retardador de chama, dois pesticidas e 22 PCB (bifenilos policlorados). Essa poluição do organismo não está reservada aos eleitos nem aos europeus: nos Estados Unidos, os pesquisadores do Center for Disease Control identificaram a presença de 148 produtos químicos tóxicos no sangue e na urina de americanos de todas as idades.”

... o surgimento dessas substâncias tóxicas no nosso meio ambiente - e nosso corpo - é um fenômeno radicalmente novo. Ele data também da Segunda Guerra Mundial. A produção anual de substâncias químicas sintéticas passou de um milhão de toneladas em 1930 para 200 milhões de toneladas hoje.”



...

O Centro Internacional de Pesquisa de Câncer da OMS montou uma lista de produtos cancerígenos presentes no meio ambiente. Em trinta anos, foram testados novecentos (uma ínfima proporção das mais de 100 mil moléculas que foram espalhadas, em levas de milhões de toneladas por ano, pela indústria a partir de 194O). Desses novecentos produtos que lhe foram submetidos - geralmente por organismos governamentais, sociedades médicas ou associações de consumidores que manifestam alguma objeção --, um único foi reconhecido como não cancerígeno; 95 foram classificados como “cancerígenos comprovados” (ou seja, existem suficientes estudos epidemiológicos com animais para estabelecer uma relação formal de causa e efeito); 307 são cancerígenos “prováveis” ou “possíveis” (os estudos com animais são convincentes, mas os estudos com humanos necessários para apresentar a prova de sua nocividade não foram feitos ou são insuficientes); 497 foram etiquetados como “inclassificáveis” (o que não significa que não sejam perigosos, mas sim que seus efeitos não foram suficientemente estudados, com frequência por falta de meios).

...
Alimentos orgânicos

Na Universidade de Washington, uma jovem pesquisadora, Cynthia Curl, estava preocupada em saber se a comida orgânica que suas amigas davam aos filhos era realmente mais sadia. Ela conseguiu realizar uma pesquisa 42 crianças de 2 a 5 anos, dirigindo-se a famílias que saíam do supermercado comum ou de uma cooperativa orgânica. Durante três dias, os pais tinham que anotar tudo que davam aos filhos para comer e beber. As crianças recebiam a classificação de “orgânicas”, se mais de 75% de sua alimentação tivesse o selo orgânico, e “convencionais”, caso mais de 75% de seus alimentos não fossem orgânicos. Em seguida, a dra. Curl mediu na urina das crianças os produtos da degradação dos pesticidas organoclorados (os pesticidas mais comuns). Ela descobriu que a taxa de pesticidas na urina das crianças “orgânicas” estava claramente aquém do mínimo fixado pela Agência Governamental de Proteção Ambiental. Era também seis vezes menor do que a das crianças "convencionais”. Para estas últimas, ao contrário, a carga tóxica ultrapassava em quatro vezes os limites oficiais tolerados. A alimentação “orgânica”, resultava de fato em uma diferença significativa no nível de intoxicação do organismo.






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... Depois disso, uma segunda pesquisa da mesma universidade reforçou as descobertas originais: 23 crianças foram inicialmente testadas depois de seguir durante vários meses uma dieta convencional. A urina delas mostrava a presença de pesticidas. Em seguida, elas consumiram exclusivamente alimentos orgânicos. Em alguns dias, todo vestígio de pesticida tinha desaparecido de suas urinas. Quando voltaram à alimentação convencional, os vestígios de pesticidas rapidamente reapareceram, no mesmo nível que antes da alimentação orgânica.”

Imaginemos que existisse um produto do qual bastaria pingar uma gota em cima de um bife, do leite ou de uma fruta para que, mudando de cor, ele revelasse a presença de pesticidas. De um dia para o outro, a indústria agroalimentar seria obrigada a transformar radicalmente suas práticas para se conformar às exigências da precaução mais elementar diante das substâncias duvidosas que foram introduzidas na nossa alimentação a partir de 1940. Mas esses produtos tóxicos são inodoros, incolores e insípidos. Só por serem indetectáveis eles se tornam mais “aceitáveis”? Esta pergunta é reservada somente aos que já foram atingidos pelo câncer?"

(Fonte: livro Anticâncer, pag. 103 a 113)


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