sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Violência: a forma como os policiais se autodestroem. Como o controle do stress e da agressividade pode ajudar os policiais a viverem melhor.



Violência policial faz com que os policiais desenvolvam depressão, alcoolismo, vícios, problemas familiares




A vida de policial é muito difícil. Uma parcela significativa deles desenvolve problemas psicológicos graves. Alcoolismo, consumo de drogas, depressão, problemas sérios com esposa e filhos, etc.

Comparado com o resto da sociedade, os policiais tem mais problemas psicológicos. Já tratei de vários deles, e aprendi muito sobre alguns comportamentos que os destroem.

Antes de continuar com meu texto sugiro que leiam o texto abaixo:

"Na madrugada do dia 31 de outubro, centenas de policiais militares com cavalaria, cachorros e viaturas da Rota invadiram a comunidade São Remo - vizinha à USP, que existe há mais de 40 anos e, onde moram mais de 13 mil pessoas - arrombando casas de trabalhadores muitos dos quais funcionários efetivos e terceirizados da USP.

Uma companheira, funcionária da USP, que teve sua porta arrombada, pelos coturnos dos soldados, pediu o mandado judicial e recebeu dois tapas, no rosto, de um policial que gritava: - está aqui!. Em várias outras casas, os policiais quebraram móveis, eletrodomésticos e, quando os moradores protestaram dizendo que eram trabalhadores, ouviram dos policiais que quem mora na favela e não paga IPTU é bandido".  Continue lendo

Quero discutir esta triste situação sob a ótica da saúde mental dos policiais

Qual a origem social destes policiais de mais baixa patente: a mesma das pessoas que eles agrediam livremente. Eles desqualificam estas pessoas, que poderiam ser seus parentes, amigos ou filhos. Cria-se um condicionamento mental: a agressividade deve ser direcionada para aqueles que são como eu

Agressividade mais autodesqualificação atua na mente destes profissionais gerando alta dose de ansiedade e angústia. 

Quem treina para usar a agressividade em um momento da vida, aprende a gerar a agressividade em todos os momentos. É como diz uma frase de Nietzsche: "a pessoa belicosa em momentos de paz briga com ela mesma". 

Atribuo grande parte do sucesso dos tratamentos que fiz com policiais ao descondicionamento da agressividade dirigida às pessoas mais humildes. É a melhor forma deles aprenderem a não cultivar as várias formas de agressividade na vida cotidiana.

Policial deve ter autoridade. Sem isso, não há como trabalhar. Outra coisa é o autoritarismo, que é o primeiro incentivo para a PERDA DE CONTROLE na hora do trabalho e em outros momentos.

Todo policial deve ser treinado para ser educado, firme e dedicado. É a melhor forma de controle do stress e a melhor forma de gerar um vínculo positivo com as pessoas (o que facilita seu trabalho).

Não existe contradição entre ter autoridade e ser educado, firme e dedicado.


O primeiro passo é aprender a se defender.

O policial de índole agressiva, que se autodesvaloriza, costuma se colocar em risco. Vou dar um exemplo: o policial para um carro. Vai até a porta e manda o sujeito sair do carro, intimida, etc. Se o sujeito tiver uma arma nem dá tempo dele reagir. O policial acredita que sua postura agressiva o protege, mas é o oposto.

O policial que gosta de si faz assim: para o carro e, se protegendo, manda o sujeito sair do carro. Ao ter certeza que não há risco para si, manda delicadamente o sujeito virar de costas, para ser revistado educadamente. São várias proteções anti stress: se defender, ser delicado, ser educado, etc.

(Delicado, o policial diz: nós estamos em um procedimento de (por exemplo) verificação. Siga as nossas instruções e fique tranquilo. Agora, por favor, vire-se de costa e coloque as mãos sobre o capô do carro. Nós vamos te revistar. - O educado é a forma educada de falar. O delicado é descrever antecipadamente e detalhadamente tudo o que vai acontecer e  toda a lógica do procedimento que está sendo adotado. Este mecanismo serve para diminuir o stress do policial e das pessoas abordadas por eles).

A autoridade deve ser preservada, sem ela não há serviço bem feito.

Este mecanismo de PROTEÇÃO MENTAL é extremamente importante para toda a sociedade. É muito importante para os mais pobres, que sofrem mais abusos. Porém, é de extrema importância para o próprio policial e seus familiares - equilíbrio mental é sinal de família mais unida e satisfeita.




É muito mais fácil capturar bandidos quando a população tem laços de confiança com a polícia. Através da confiança cria-se uma rede de informações muito mais eficiente. Torna-se mais fácil descobrir e capturar bandidos e assassinos.

Todos saem ganhando, pois onde a educação, a delicadeza e o respeito prevalecem é mais fácil de trabalhar - justamente porque o stress diminui muito e a racionalidade/eficiência aumenta.

Esta filosofia tem sido vitoriosa em vários casos que atendi. Uma vida melhor para os policiais, suas famílias e mais eficiência no combate ao crime.

Todos somos seres humanos e todos merecemos viver bem, felizes e satisfeitos. O respeito e o controle da agressividade é parte fundamental desta conquista.


Autor: Regis Mesquita
https://twitter.com/mesquitaregis




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4 comentários:

  1. É isso mesmo, há que se considerar que boa parte dos policias vivem na periferia e quando agridem os seus iguais é como estivessem agredindo a si mesmos.

    Muito bom o artigo.

    Hugo

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  2. Bons posts os seus, parabéns

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-forma-como-os-policiais-se-destroem

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  3. Excelente texto, você alguma bibliografia ou conhece pesquisa feita sobre isso no Brasil? a maior parte das abordagens que eu conheço trabalham as questões políticas e institucionais, mas nunca li nada da psicologia a respeito. É muito interessante observar como as ações violentas afetam individualmente os policiais.

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  4. Obrigado por partilhar suas experiências!

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