terça-feira, 28 de julho de 2015

A Dinamarca é muito desenvolvida e o Brasil não. Estas imagens vão te ajudar a entender o porque.










O jardim acima está na cidade de Copenhague, na Dinamarca. 

Um dos países com melhor índice de desenvolvimento humano do planeta.

O Brasil, nosso país, está em 79. Uma posição mediana, já que o planeta tem aproximadamente 200 países. 

O que torna a Dinamarca diferente do Brasil. É a cultura? Mas, qual cultura? Educação? Mas, qual educação?

Te convido a passear por este lindo jardim, enquanto te explico alguns detalhes históricos.








Houve um tempo em que este jardim super bem cuidado recebia apenas a nobreza.

O dinheiro dos impostos eram gastos para gerar benefícios para pouquíssimos (1).

Havia um pensamento: pessoas importantes merecem estar em ambientes bem cuidados e bonitos.

A monarquia cuidava muito bem de si mesma. É óbvio que cuidava mal da população.

Afinal, quando o dinheiro é usado em benefícios de alguns, falta para outros.







O tempo passou e a população exigiu:

queremos ter  livre acesso a estes belos jardins.

Eles queriam ser IGUAIS.

Ou seja, podemos ter belos jardins? Que sejam belos jardins para todos.

Podemos ter bons hospitais? Que sejam bons hospitais para todos.

O dinheiro deve continuar sendo gasto com o que é bom, belo e útil.

E todos devem ter livre acesso a estes benefícios.

Todavia, se o jardim passasse a ser mal cuidado, perderia parte de sua função.

O conceito é: podemos ter o que é bom. 

DEVEMOS NOS ESFORÇAR PARA MANTER O QUE É BOM.







Um belo jardim, que era exclusivo para a nobreza, passou a ser aberto para todos.

Mas, continuará a ser um belo jardim.

Existe um nível de compromisso com exigir qualidade.

Além disso, existe um bem estar em produzir com qualidade e eficiência.









A senhora acima é a jardineira. Uma funcionária dedicada.

Além de dedicada, ela é eficiente.

Do seu esforço é gerado um belo jardim que alegra a vida de muitas pessoas.

Seu trabalho é cuidar bem cuidado. Ela aprendeu a cuidar com eficiência.

O resultado é bom. 

Ela mede seu desempenho pelo resultado. Ela se exige bastante para gerar bastante resultado.








1) as pessoas na Dinamarca prestam mais atenção nas suas atividades. 

Porque somente com atenção é que se aprende e produz o que é melhor.

2) elas possuem critérios racionais e não pessoais para avaliar suas atividades.

Para a jardineira as plantas devem estar sadias e produzirem muitas flores.

Este é o sentido do trabalho dela. Ela está disposta a aprender para atingir este objetivo.

O brasileiro se esforça muito, a diferença não está no esforço.

A diferença está na capacidade de usar critérios racionais e não pessoais para se avaliar e ser avaliado.

Fazer mal feito dá mais trabalho do que fazer bem feito.

No ato de fazer bem feito existe aprendizado e outras consequências benéficas.

Por exemplo: ao aprender a produzir plantas sadias com muitas flores, a jardineira aumenta sua autoestima e torna fácil fazer o que é bom.

Se fizer mal feito não haverá aprendizado. Fica igual à pessoa que insiste em pedalar a bicicleta de olhos fechados e não se cansa de reclamar do azar de sempre cair. (3)








Um dos mitos que existem no Brasil é que o brasileiro não se esforça.

Não é verdade. É um povo muito esforçado e ineficiente.

O esforço é alto, justamente porque a eficiência é baixa.

E a eficiência é baixa porque as pessoas procuram muita desculpa e se importam pouco com a eficiência.

Explico: as escolas da Dinamarca são boas porque a estrutura é muito diferente das escolas do Brasil?

Em parte é verdade. Mas a grande diferença é esta: as pessoas, enquanto estão na escola, estão focadas em aprender.

Em outras palavras: o foco é aprender para poder fazer bem feito.

Não importa se é uma jardineira, um professor ou um aluno. Ou um dentista, ou um engenheiro.

O foco destas pessoas está em fazer bem feito usando os recursos que possuem.







Uma sociedade baseada em um alto nível de exigência é uma sociedade que não busca desculpas para a ineficiência (ou busca menos desculpas).

Uma sociedade baseada em alto nível de exigência acredita que cada um pode e deve contribuir com o seu melhor.

É uma sociedade que cobra e estimula o desenvolvimento das pessoas.

Nesta sociedade todos trabalham um pouco menos e usufruem um pouco mais.

Fazer bem feito é um grande usufruto. Usufruir do bem feito que os outros produzem também é um grande benefício.

Por exemplo: nesta sociedade quem ganha mais dinheiro paga muito mais impostos. 

Por outro lado, quem ganha mais dinheiro sabe que uma economia sadia é constituída de milhões de cidadãos com uma vida financeira estável.

Estas pessoas vão comprar, negociar e manter o dinheiro circulando na sociedade.

O mais rico é beneficiado nos seus negócios e no fato de viver em lugares mais saudáveis, mais belos, com mais paz, menos violência e ainda tendo o prazer de saber que está sendo útil para muitas pessoas.


A Dinamarca é uma sociedade exigente. As pessoas são exigentes com os outros e consigo mesmas.

Por outro lado é uma sociedade grata.

Os benefícios sociais (tipo bolsa família e outros) são amplos. 

Uma sociedade equilibrada significa muito apoio e muita exigência.


No Brasil é o inverso: quanto mais se ganha, menos se paga de impostos proporcionalmente.

Quando o dinheiro público é direcionado para os mais pobres existe muita raiva da classe mais alta. 

Mas, quando o dinheiro é direcionado para a "nova nobreza" (os multimilionários) existe compreensão e apoio (2). 

É o caminho inverso do escolhido pela Dinamarca, pela Suécia, Noruega, Japão, Holanda, Bélgica, Alemanha, Nova Zelândia. 

Todos estes países transferem muito dinheiro para sua camada de população mais pobre. E consideram isto muito bom.

Quem será que está correto: o Brasil ou a Dinamarca?




1 -  hoje, no Brasil, um dos maiores exemplos desta distorção está na Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). 
O dono da empresa se apossa de uma parte do imposto que deveria pagar e aplica segundo seus interesses. 
A empresa do sujeito usa o dinheiro para fazer propaganda.
Ele pode escolher (por exemplo) dar  o dinheiro público para o Luan Santana realizar sua turnê musical (o cantor pode arrecadar R$4,1 milhão de reais).



2 - suponhamos que você tenha 70 milhões de reais aplicados em ações. Todos os anos ganha R$3 milhões de reais em dividendos. Você será um ilustre membro da "Nova Nobreza" brasileira. A lei te dará o direito de não pagar nem um centavo de impostos sobre estes 3 milhões de reais que você receberá. 

A verdade, porém, é que você não tem este dinheiro. Trabalha para ganhar alguns mil reais por mês e pagar mais impostos que a "Nova Nobreza" brasileira. Você provavelmente reclama de um miserável ganhar 50 reais por mês e se acostumou com a "Nova Nobreza" não pagar centenas de bilhões de reais. 

Pense nisto!


3 - pedalar bicicleta de olhos fechados é uma analogia da dificuldade do brasileiro de se subjugar à realidade e à necessidade. A pessoa não pode escolher se anda de bicicleta de olhos abertos ou fechados, porque a realidade do risco se impõem. O brasileiro gosta de escolher "sua forma de fazer e agir",  ao invés de perceber a realidade e se submeter à ela. Submetido à realidade, ele pode criar, inovar, desenvolver e (principalmente) ser eficiente. Um dos mitos da nossa sociedade é que somos inovadores. Somos inovadores na música e só. No resto somos consumidores da inovação de outras nações. Isto acontece porque inovar é uma característica de quem se submete à realidade e cria a partir desta submissão. 



Autor: Regis Mesquita




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2 comentários:

  1. Bela matéria, que tristeza esse nosso país, virou uma corrupção total, os mais pobre querendo fazer alguma coisa para tirar vantagem de sua situação os mais ricos também no mesmo caminho, o que sobra pra gente que quer viver na paz e construindo um mundo melhor. Gostei muito de seu post, meu deu mais força para lutar e fazer melhor sem deixar que os maus cidadão nos contamine. Outro dia falávamos aqui em casa sobre nos mudar do Brasil e ir viver no Uruguai, lutamos solitários contra muitos abusos em nossa cidade nos sentimos uns incapazes. Mas resolvemos lutar e continuar a viver aqui por enquanto, temos esperança que as coisas vão mudar e nosso país será um lugar muito bom para se viver.
    Essa dos impostos é revoltante, participo de uma associação que faz trabalhos com jovens em risco, tentamos levá-los para o mundo da música. Fomos em empresas para ter esse incentivo fiscal, mas nos decepcionamos. Eles te oferecem o valor x mas querem 70% do que vamos receber é isso ou nada. Sempre tem alguém que aceita por isso essa prática se tornou tão comum.
    Bem vamos ter fé que as coisas mudaram e essas pessoas um dia acordarão e farão um trabalho para todos.
    Tenha um ótimo dia.

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  2. Como sempre. Mais um belo texto!

    Obrigado por compartilhar tais pensamentos: nobres e edificantes!

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