terça-feira, 31 de maio de 2016

Traumas podem ser transmitidos entre gerações. Mais um motivo para você enfrentá-los agora.



Nada é mais poderoso do que um sorriso que surgiu após as lágrimas. Enfrente seus traumas





Amigos do site Psicologia Racional,

Os últimos anos têm sido marcados por pesquisas em genética que mostram um funcionamento bem diferente do que aprendemos na escola.

Estas pesquisas mostram a brutal importância do ambiente sobre a genética. Propiciou até o surgimento de um novo ramo de estudo: a epigenética.

O texto abaixo demonstra esta total interação entre os vários aspectos da vida humana e a genética (neste caso, a transmissão de padrões pessoais para outras gerações da família).  Após o texto faço algumas considerações sobre os traumas.


'Trauma' pode ser transmitido entre gerações, sugere estudo
James Gallagher

Um estudo feito por cientistas americanos aponta que o comportamento humano pode ser afetado por episódios vivenciados por gerações passadas por meio de uma espécie de memória genética.

As pesquisas mostraram que um evento traumático pode afetar o DNA no esperma e alterar os cérebros e o comportamento das gerações futuras.

O estudo, publicado na revista científica Nature Neuroscience, indica que camundongos treinados para se esquivar de um determinado tipo de odor passaram essa aversão a seus 'netos'.

Especialistas dizem que os resultados são importantes para as pesquisas sobre fobia e ansiedade.

Os animais foram treinados para temer um cheiro similar ao da flor de cerejeira.

A equipe, composta por cientistas da Emory University School of Medicine, nos Estados Unidos, averiguou, então, o que estava acontecendo dentro do espermatozoide dos camundongos.






Os cientistas constataram que o trecho do DNA responsável pela sensibilidade à essência da flor de cerejeira estava mais ativo na célula reprodutiva masculina.

Tanto a prole dos camundongos quanto os descendentes destes demonstraram hipersensibilidade à flor de laranjeira e se esquivaram dela, mesmo que não tenham passado pela mesma experiência.

Os pesquisadores também identificaram mudanças na estrutura dos cérebros desses animais.

"As experiências vivenciadas pelos pais, mesmo antes da reprodução, influenciaram fortemente tanto a estrutura quanto a função no sistema nervoso das gerações subsequentes", concluiu o relatório.


Assuntos familiares

As descobertas oferecem evidência de uma "herança epigenética transgeracional", ou seja, de que o ambiente pode afetar os genes de um indivíduo, que podem então ser transmitidos a seus herdeiros.

Um dos pesquisadores, Brian Dias, afirmou à BBC que tal característica "pode ser um mecanismo pelo qual os descendentes mostram marcas de seus antecessores".

"Não há dúvida de que o que acontece com o espermatozoide e o óvulo pode afetar as gerações futuras".

O professor Marcus Pembrey, da Universidade College London, afirmou que as descobertas são "altamente relevantes para as fobias, ansiedade e desordens de estresse pós-traumático" e fornecem "fortes evidências" de que uma forma de memória pode ser transmitida entre gerações.

Diz ele: "A saúde publica precisa urgentemente levar em conta as respostas transgeracionais humanas".

"Acredito que não entenderemos o aumento nas desordens neuropsiquiátricas ou a obesidade, diabetes e as perturbações metabólicas sem esse tipo de abordagem multigeracional".



Comentário:

Um aspecto essencial quando se discute traumas é: autossabotagem e autodestruição. É quase impossível um trauma não carregar junto estes dois destruidores de vidas.

No exemplo do texto, os ratinhos das novas gerações nascem esquivando (fugindo) da essência de flor de cerejeira. É um comportamento adaptativo: “existe algo negativo associado a esta essência, portanto é melhor eu ficar longe”.

Os traumas são mais complexos que o simples esquivar de algo. Eles geram uma carga de negatividade tão grande que se “espalha” por outras áreas da vida. Os ratinhos vão aprender a esquivar de uma grande quantidade de coisas que aparecerão associados à essência de flor de cerejeira.

Funciona assim: é cinco horas da tarde, o ratinho anda por um jardim quando sente o aroma da flor de cerejeira. Ele não sabe ao certo o que é que gera a repulsa, mas sabe que é final de tarde, o cheiro, a temperatura, etc. Ele passará a associar dezenas de coisas com o cheiro da flor de cerejeira. Dezenas de coisas (como a hora do dia – iluminação, etc) podem ficar marcadas como negativas após serem associadas ao trauma.

A carga negativa cresce muito, tornando-se um peso psicológico forte. Este peso extremo gera a autodestruição e a autossabotagem.

Este mecanismo é muito bem observado em mulheres que foram estupradas e desenvolvem nojo do próprio corpo e/ou muito medo de ter prazer sexual. Seus relacionamentos afetivos são costumeiramente afetados, por falta de segurança e baixa autoestima. Antigamente, muitas destas mulheres entravam para conventos, isolando-se da vida social. Atualmente, muitas destas mulheres evitam ter vínculos profundos que gerem a formação de um casal (isolando-se também). Esta é a forma do trauma espalhar por várias áreas da vida da pessoa.

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Além de “espalhar” pela vida das pessoas, o trauma é tão forte que “passa” para outras gerações. Seja através da microcultura familiar ou através de “memórias epigenéticas”. O trauma, que era o desafio de um, passa a ser o desafio de vários.

As pessoas que passam por trauma não devem ficar sozinhas e nem tentar esquecer o problema. É uma péssima estratégia, porque as memórias funcionam independentemente da vontade da pessoa.

A melhor estratégia é o enfrentamento da situação, com equilíbrio e planejamento.

Raramente o trauma se desfaz sozinho. Ele passa a ser uma sombra, um tabu, na vida da pessoa. Ele é extremamente resistente, a ponto de passar até para outras gerações.

Lembre: traumas são “feridas da alma” muito resistentes e duradouras. São também passíveis de serem superados – ou seja, existe cura para seu trauma.


Dicas para lidar com os traumas:

- A prática que muitas pessoas e suas famílias adotam de esconder os problemas e não “mexer na ferida” é uma tática muito ruim, pois os traumas tendem a aumentar e a tornarem-se mais complexos com o passar dos anos, décadas e, agora você sabe, séculos. Portanto: enfrente-o “de frente”.

- Aceitação da realidade e o desapego são fundamentais para que eventos cotidianos não se transformem em traumas. Afinal, não são apenas grandes eventos que se transformam em traumas. Os eventos aos quais a mente das pessoas atribuem uma grande importância é que se transformam em traumáticos.

- Uma tarefa essencial de todos os humanos é diminuir a força e a abrangência dos traumas (e também de outros condicionamentos) que se repetem e estruturam a vida das pessoas. Ou seja, procure as influências dos traumas em várias áreas da vida e desfaça a ação. Se exponha ao que considera indesejado, inseguro ou gera mal estar (quando for causado pelos traumas). Se for persistente, poderá curar a si mesmo deste problema.

- Traumas geram crenças e percepções. Esteja bem consciente para identificar cada crença e percepção criadas para sustentar o trauma. Por exemplo: o ratinho poderia ter “a ideia” (eu sei que rato não pensa) de que a essência de flor de cerejeira dá azar. Identifique as crenças e percepções e não se deixe guiar por elas.

Dicas retiradas do Livro Nascer Várias Vezes, capítulo: “Os Traumas devem ser resolvidos na mesma encarnação que surgiram” (Conheça todos os capítulos do livro - clique aqui )


Autor: Regis Mesquita


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Para saber lidar com traumas psicológicos comece aceitando a realidade eckhart tolle




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