Regis Mesquita
Veja esta frase:
"Cientistas estimam que a atual geração de crianças vai viver vidas MAIS CURTAS do que seus pais e terá maiores taxas de doenças cardíacas, diabetes e aterosclerose".
Boa parte deste problema está relacionado ao sedentarismo. Converso com pais que dizem que o filho não é sedentário porque faz futebol e natação. Ao todo quatro horas de exercício por semana. Muito pouco.
Durante 4 milhões de anos nossos antepassados foram nômades. Andavam o dia inteiro. Com o aumento da consciência, a fixação em cidades e a tecnologia, o ser humano foi ficando cada vez mais paralisado.
Chegamos à época atual, onde pessoas acham que quatro horas de exercício semanal é o suficiente. Absurdo! O corpo e a mente humana dependem do exercício para realizar inúmeros processos. Até a memória é influenciada.
O que fazer? Colocar as crianças para brincar. E, para isto, elas tem que se reunir. Este é o prolema: reuni-las.
Famílias com poucos filhos, cheios de atividades e diversões solitárias (computadores, etc) - tudo isto dificulta a reunião de várias crianças.
Fui a uma festa de 15 anos onde os adolescentes gastavam pelo menos 30% do tempo mandando mensagem no celular para pessoas que não estavam ali. Ou seja, abandonavam o que era próximo e as oportunidades da situação, para ficar no mundo distante e restrito das mensagens. Este é um sintoma do distanciamento afetivo e intelectual (mentes frágeis) que estão sendo criadas - inteligência emocional muito baixa.
Os pais devem ter um esforço extra para reunir crianças e deixá-las brincar do jeito delas. Nada de contratar "monitor". Deixá-las se relacionar, resolver seus problemas. Lógico, que com o "olho do adulto". A reunião de crianças gera mais movimento (principalmente se privá-las de jogos eletrônicos). Movimento gera mais desejo de movimento.
Outro fator importante: os pais precisam entender o negativismo propagado pela mídia.
Cena real: sete adolescentes caminham pela calçada conversando. Um adulto vê a cena e diz: estas crianças na rua, coisa boa não vão fazer.
Este negativismo interessa aos donos de Tvs. Quanto mais em casa, mais eles dependem da Tv para terem atividades. Se estiverem felizes, brincando em grupo a tv ficará em segundo plano. Uma mãe disse: "obrigado por ter deixado seu filho vir aqui. Assim ele esquece a tv". As crianças correram e brincaram juntos até as 10 horas da noite (era sexta-feira). Só nesta brincadeira foram três horas de movimento e de interação social (desenvolvendo o físico e o emocional - sendo mais felizes).
Aos pais cabe um esforço que hoje é necessário: reunir crianças (3 ou mais) para que brincarem juntas, serem felizes, desenvolverem a inteligência emocional, terem saúde mental e física.
Abandone o negativismo. É mais fácil uma criança entendiada e sob influência de valores televisivos usar drogas e/ou virar preguiçoso. Crianças que interagem em grupo sabem se defender melhor e conseguem desenvolver sua própria personalidade mais eficientemente.
O isolamento das crianças e adolescentes só gera seres imaturos, egocêntricos, propensos à doença e dispostos a seguir os péssimos modelos midiáticos.
Quanto mais nos afastamos da vida natural, piores os resultados. O natural são crianças e adolescentes estarem em grupos. Existe risco sempre, o que se combate com educação, bons valores e companheirismo dos pais.
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