sábado, 8 de junho de 2013

Cada um julga o outro de acordo com o que é



Julgamento, cada um julga o outro de acordo com o que é




Regis Mesquita



Amigos do site Psicologia Racional,


Abaixo segue um conto coletado na internet, sem indicação do autor. Após o texto estão meus comentários.

Julgamento

"Certa vez um sábio deitou-se ao lado da estrada, imerso em profunda meditação.
Passou por ali um ladrão e, ao vê-lo naquele estado, comentou:

- Este homem dever ser um ladrão. Certamente roubou alguma casa à noite e agora
adormeceu de cansaço. Logo chegará a polícia e o prenderá. Vou escapar a tempo.

E tratou de fugir.

Pouco depois, passou um bêbado e, olhando para aquele homem deitado, exclamou:


- Bebeste demais e caíste aí. Estou mais firme do que tu e não vou cair.

E continuou seu caminho.

Finalmente, passou por ali um sábio e, percebendo que o homem caído ao chão era
um Santo em estado de êxtase, sentou-se ao lado dele e, em silêncio, meditou junto.

Cada um julga os outros por si".


Comentando:

A mente humana é limitada. Por exemplo, o ser humano não enxerga todo o espectro de cores e nem ouve todo o espectro de sons. Ou seja, a realidade é muito mais rica do que nossa mente consegue captar.

Uma pessoa que treina seu “ouvido musical” será capaz de perceber melhor os sons. Desta forma, poderá captar com mais fidedignidade a realidade sonora à sua volta.

O mesmo acontece com todos os outros filtros que existem em nossa mente: paladar, sensações, crenças, valores, condicionamentos, etc.

Cena 1: uma senhora anda pela rua quando vê um grupo de adolescentes vindo em sua direção. Seus olhos enxergam os adolescentes, e seu cérebro processa o significado da imagem. Ela pode sentir medo e pensar: será que eles vão me assaltar?

A senhora não conhece os adolescentes. Ela não sabe (futuro). O julgamento acontece em cima deste não saber. Ela usa como referência crenças e valores que existem dentro da sua cabeça (passado). Esta senhora escutou muitas histórias de violência e assaltos ao longo da vida. Por ser ignorante sobre a vida daqueles adolescentes (presente), ela se protege desencadeando o medo.


Esta senhora é medrosa, é negativa e sente-se impotente. Está condicionada a emitir opiniões negativas sobre as pessoas. Sua mente age da forma como ela se treinou: ao observar o grupo de adolescentes, sua mente “corre para o negativo”.

A imensa maioria das pessoas considera esta reação normal. Mas, não é normal. É treino mental para focar o negativo na realidade. Quando não há negativo na realidade, busca-se dentro da própria mente.

Cena 2: Os adolescentes passam pela senhora e vão embora. Eles dão risadas e estão felizes com a vida. Nem notam a senhora assustada e medrosa que passa por eles.

A senhora aprendeu a lição? Da próxima vez que cruzar com grupos de adolescentes sentirá menos medo? Ela se arrependeu de ter vibrado negativamente e julgado cruelmente? Ela entendeu que escolheu o caminho do sofrimento?

Em 99% dos casos não haverá aprendizado. Simplesmente, porque não houve a intenção de aprender.

Ela agiu com baixíssimo nível de consciência. Como uma autômata, ela repetiu o que havia dentro de sua mente. Ao repetir, ela reforçou o comportamento medroso e as crenças que dominam sua mente. O resultado: a associação entre violência e adolescentes ficou mais forte. Não importa que a realidade “não confirmou” sua crença. Importa é que sua crença reconstruiu a realidade. Ou seja, ela sentiu alívio por não ter sido assaltada, daquela vez. Da próxima vez, quem sabe, virá o assalto. (O cérebro funciona assim: as associações que são usadas são reforçadas.Para enfraquecê-las necessita do esforço da consciência ou de um “choque de realidade”. )

Uma pessoa treinada para ter uma mente reativa, como esta senhora, pode ter milhares de experiências positivas. Mas, as experiências (reais ou imaginárias) centrais em suas mentes serão as negativas. São pessoas com um poder tremendo de gerar e manter dentro delas o negativo. Elas conseguem reforçar a negatividade mesmo em situações de paz e tranqüilidade.

E o pior: se permitem emitir emanações e vibrações negativas sem a menor consciência do mal que podem causar a si e ao próximo. Com a desculpa de que são vítimas, emanam pensamentos cruéis: “meu Deus, eles vão me assaltar...”

De cada mil julgamentos que o ser humano faz, 950 são atos cruéis e infelizes. Todo julgamento é parcial. Todo julgamento está altamente sujeito a erros.

O que fazer?

1)  acostume a parar seus pensamentos. A mente funciona compulsivamente quando está em um estado semi-consciente (a condição normal das pessoas): um pensamento desencadeia outro pensamento que desencadeia um terceiro pensamento, e assim por diante. Tudo sem controle, compulsivamente. Um passo muito importante é parar a sequência de pensamentos. No início ficará um vazio ruim, depois você descobrirá que este vazio descansa a mente, diminui ansiedade e angústia, melhora o humor, etc.
A senhora poderia ter decidido não pensar nada sobre aqueles adolescentes.  Todos podem parar seus pensamentos.

Uma das grandes vantagens de parar o pensamento é ter mais tempo para observar a realidade e aprender (indico este texto para explicar a questão do tempo: http://caminhonobre.com.br/2013/02/24/aceitacao-tempo-para-aprender/ ).

2) saia do zona de conforto do julgamento. Você julga porque considera que está correto em sua avaliação. Para aprender a não julgar ou não julgar compulsivamente, é necessário algumas vezes abrir mão da confiança que você deposita na sua forma de organizar sua mente.

Não confie plenamente nas muitas justificativas que sua mente lhe fornece. Podem ser justificativas sensatas ou insensatas; mas, com certeza, são justificativas que não abarcam a realidade completa.

3) tenha a intenção de aprender. Algumas das qualidades necessárias para aprender: experimentar, correr riscos, atenção e foco em outras possibilidades.

Aprender é uma ótima forma de não ficar repetindo erros. Mas, para aprender deve acontecer o enfrentamento com a realidade. Explicando: a senhora poderia dizer para si – “não vou acreditar no meu medo. Estes adolescentes podem não ser ladrões, vou relaxar e não vou emanar negatividades”. Após passar pela situação e ver que os adolescentes foram embora, ela terá aprendido uma lição (por que saiu do ato condicionado, semi-consciente, e forçou sua consciência a focar a realidade).

Ela teve a intenção de aprender, tomou a postura de aprendizado, tornou relevante variáveis que sua mente reativa desprezava. Ela estava pronta para aprender com a experiência.

Não é toda experiência que ensina. Não é todo sofrimento que faz as pessoas mudarem. É preciso ter disponibilidade interna para aprender.

Você julga com os valores, crenças e treinos que possui na sua mente. Estes julgamentos são a base de boa parte dos problemas que você possui. E, também, são a base da maior parte dos problemas que você não consegue resolver. Além de limitarem sua vida, impedem vitórias, conquistas, alegrias, paz e muito mais.


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7 comentários:

  1. Tá, e se ela emanasse o pensamento positivo e ao passar fosse assaltada? Isso ocorreu comigo e toda vez vejo adolescentes favelados "metidos à brabos" quero matá-los. Reagi e poderia ter morrido, ainda sim perdi coisa de valor. Antes mortos que atrapalhando meu viver. Como seria o desfecho pra velhinha? Não foi dessa vez, numa próxima você não seria assaltada?

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    Respostas
    1. Se você está em um ambiente violento, você pode ser assaltada. A bondade é sempre um risco. Você é bondoso, o outro pode não ser. Por isto que é importante as pessoas avaliarem a realidade sem preconceitos.

      Outra coisa é a maldade explícita de quem tem o coração maldoso e acha justificativa para emanar maldades. A imensa maioria dos favelados são honestos. Grande parte dos assaltos são realizados por gente de classe média. É só analisar as estatísticas.

      Mas, o que interessa neste texto é: cada situação é diferente da outra. Deve-se analisar cada situação. E, em cada situação, existe uma parte que não conhecemos. Este é o risco da vida de quem quer viver com paz no coração. O prêmio será a sabedoria.

      Já as pessoas que entopem sua mente de raiva terão o resultado do que cultivaram: ansiedade, angústia, falta de energia, etc. E mais: o risco de ser assaltado será o mesmo. A raiva não serve nem para proteger a pessoa.

      Todas as pessoas devem se proteger. Para se proteger não é necessário negativizar a realidade e projetar frustrações, rancores, mágoas, impotência, etc.

      Te convido a estudar os textos do blog Caminho Nobre: https://caminhonobre.com.br/

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    2. Complementando: as pessoas acham que a raiva as protegem e quem emana bondade é "bobo".

      Na prática é o oposto: quem tem a mente calma consegue planejar melhor a vida e se organizar com mais eficiência. Desta forma, consegue evitar e se proteger de grande parte da agressividade de outras pessoas.

      A mente conturbada pela raiva, rancor, mágoa, ódio, é sempre mais limitada. É uma mente com mais dificuldade de buscar soluções. Desta forma, estas pessoas se envolvem mais facilmente em situações negativas.

      A pessoa com paz no coração desenvolve sabedoria. A sabedoria gera muitas coisas boas e permite evitar parte das negativas. Mas, sempre acontecerão as situações negativas. O sábio saberá resolver e superar estes problemas. As pessoas raivosas ficarão ruminando o problema, terão mais problemas e serão menos eficientes.

      Uma dos melhores incentivos de ter a mente neutra é a maior capacidade de superar problemas e de evitá-los.

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    3. Te sugiro: ore bastante para estes sujeitos (usando seus termos) adolescentes favelados "metidos à brabos"; peça desculpas (em oração) pela negatividade emitida todos estes anos.

      Diga que você tomou uma decisão: a agressividade vai parar em você. Que você aceita limpar seu coração desta mágoa. Peça para Deus te dar sabedoria para se defender de pessoas ruins (sejam favelados ou não), porque você tem o direito de se defender.

      Se arrependa da maldade, livre-se dela. Tenha certeza que este ato NÃO vai aumentar sua chance de ser assaltada. Apenas tornará seus dias mais felizes, sua vida terá mais eficiência.

      Deixe sua mente calma e serena, você terá mais prazer com a vida. E quando chegarem as dificuldades será mais fácil superá-las.

      O primeiro passo é o arrependimento pessoal. Pare de agredir os outros em pensamentos e sentimentos. Para de emanar negatividades, limpe seu coração. Este ódio não muda nada seu risco de novas violências...

      Arrependa desta burrice, tenha uma vida emocional inteligente. Busque a mente neutra.

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  2. Muitoooo bom e verdadeiro, temos que ter cuidado e manter a mente positiva.

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  3. Muito Bom!!!
    Deus continue te iluminando.

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  4. Excelente!!! Obrigada!

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