sábado, 27 de fevereiro de 2016

Seis sintomas de que você está criando seu filho para ser egoísta e frustrado







Por Regis Mesquita

Qual o futuro você espera para seu filho?

Você se esforça muito para propiciar um ótimo futuro para ele. Trabalha, dá atenção, proporciona a melhor educação possível, orienta, ajuda, etc. É um esforço enorme que é recompensado pelo amor que você sente e pela intenção de criar alguém capaz de enfrentar os desafios da vida.

Quanto mais bem preparado, maior a chance do seu filho ter uma vida equilibrada, sadia e bem sucedida. Você quer que ele tenha uma vida digna e em paz. Uma vida na qual ele possa olhar de frente para todas as pessoas e saiba se defender dos riscos e perigos.

Será que você está conseguindo atingir este objetivo?

Este texto é um alerta. Algumas condutas dos pais podem ter um efeito oposto à sua intenção.


Abaixo listo algumas situações cotidianas que são de alto risco, pois treinam seu filho para ser menos do que poderia ser. E, o pior, podem gerar nele condutas negativas que vão transformá-lo em uma pessoa que perderá oportunidades, terá menos realizações e menos paz. Enfim, o risco de ser um perdedor é enorme. Sempre perdendo, sempre se frustrado.


1) Você acha normal que ele tenha muitas posses (mais do que o necessário)

Felicidade não depende de posses. Muitas posses é dependência. Significa que ele não valoriza o que já possui. Uma pessoa que precisa de muitas posses possui uma mente negativa.

Um pai me contou que seu filho tinha mais de 100 brinquedos. Mesmo assim, sempre queria mais um. Ficava insatisfeito quando não ganhava. Esta é a mente destas pessoas: primeiro despreza o que possui (baixa capacidade de usufruto). Depois associa o desejo a uma novidade. Se ganhar, tem uma recompensa que reforça a dependência. Se não ganhar, sente-se punido. Vira uma rotina negativa.

Pense bem: o que pode surgir de bom em uma mente treinada para desprezar o que possui e desejar sempre algo diferente?

A educação é treinamento de mentes. Você deve treinar seus filhos para focarem, darem atenção e valorizarem o que possuem. Eles precisam ser privados de mais posses. Devem ser incentivados e orientados a valorizarem o que possuem.

Dica de leitura:



2) Você não ensina seus filhos a te servir

Antigamente, uma criança de 9 anos já começava a trabalhar na roça. Era a forma dela colaborar para o bem estar da família. Hoje em dia, ninguém pensa em deixar o filho sem estudar e dar uma enxada para ele trabalhar de sol a sol.

O mundo mudou para melhor. Mas, é preciso encontrar o equilíbrio. A criança tem que aprender a colaborar. Mais do que isto, ela deve aprender a ter boa vontade em servir seus pais, irmãos e demais familiares. Este treino deve acontecer desde muito cedo.

Traduzindo: as crianças devem servir aos pais, assim como os pais devem servir os filhos. O objetivo é criar um ambiente de colaboração e boa vontade.

É desta forma que você educa seus filhos? Ou você está educando um ser egoista que só sabe pedir e exigir? Quantas vezes você requisitou que seus filhos tivessem responsabilidades que envolvesse seu bem estar?

Quem cria filhos egoístas deve aguardar a chegada dos frutos do egoísmo.




3) Na sua casa tudo é solitário e nada é compartilhado

Quanto mais dinheiro, mais solitária é a vida na família. Infelizmente, esta é uma regra poucas vezes quebrada.

Filhos com quartos e banheiros só deles. Televisão, vídeo game, tablet, computador -  tudo pessoal e nada compartilhado.

Rotina cheia de atividades, o que faz com que as pessoas se encontrem menos horas em casa.

Os momentos de encontro são momentos de compartilhamento. Suponhamos que morem cinco pessoas em uma casa de apenas um banheiro. Terão que compartilhar este banheiro de tal modo que todos possam usar e ficarem satisfeitos. Este fenômeno exige interação e o ato de pensar nas necessidades dos outros. Exige a obediência à regras e produz o aprendizado de que estas regras são boas.

Quem tem seu próprio banheiro não precisa ter regras (quase nenhuma), não precisa pensar nas necessidades dos outros, não tem interação. Ficará isolado em sua ilha de facilidades e comodidades. O problema não é o banheiro; o banheiro é um exemplo colocado aqui para explicar que algumas facilidades da vida moderna produzem o isolamento das pessoas dentro de sua própria casa. É preciso ação para retomar o equilíbrio.

Algumas famílias adotaram a postura de mudar suas vidas para terem as refeições juntas. Outras escolheram dias sem internet e tv, na qual elas ficam juntas. Várias ações podem ser feitas para manter algumas facilidades, mas forçando o compartilhar.

Afinal, seu filho terá que interagir em sua vida pessoal e profissional. Você realmente acredita que ter um currículo maravilhoso vai substituir a capacidade deles interagirem e desenvolverem a sensibilidade emocional? Será que eles terão inteligência emocional para lidar com os desafios da vida?

“Nós não amamos pessoas perfeitas. Nós amamos pessoas que estão ao nosso lado e que nos oferecem muitas coisas boas. Só que as coisas mais importantes não são coisas. O mais importante são os sentimentos que ocupam lugares no coração e as boas memórias que ocupam espaço na mente. Com bons sentimentos e boas memórias é bem mais fácil os olhos brilharem e demonstrar amor e reconhecimento. (leia mais http://www.psicologiaracional.com.br/2015/06/carta-para-uma-mae.html )”



4) Você exige pouco dos seus filhos

Seu filho deve se tornar um adulto eficiente. “O que é eficiência? É capacidade de fazer bem feito, resolver os problemas com facilidade, gerar soluções e propiciar bem estar.” Será que ele atingirá este objetivo?

Observe: “A cultura brasileira é extremamente crítica. Tem uma compulsão por negativizar, principalmente quando há inovação, quando há projetos de longa maturação ou quando há experimentação com a finalidade de aprendizagem. Esta característica profundamente negativa faz com que talentos e competências não sejam desenvolvidos. Cria-se um "medo" de se expor, principalmente de aprender.”  (Fonte: http://www.psicologiaracional.com.br/2011/09/educacao-exigir-eficiencia-dos-nossos.html )

A cultura brasileira pouco valoriza os projetos de alto desempenho e eficiência. O resultado deste modelo é que as crianças tornaram grandes consumidores e pouco realizadores. Sabem comprar, usar, destruir. Não sabem e nem tem motivação para fazer, criar ou desenvolver algum projeto.

Para fazer, criar ou desenvolver projetos são necessárias metas e tolerância à frustração. Precisa de disciplina, atenção, planejamento e tempo para aprender.

Hoje, para soltar pipa, compra-se a pipa. Para jogar futebol, vai à escolinha de futebol. Tudo perpassado pelo dinheiro que compra algo pronto para elas. Não é atoa que desistem tão facilmente dos desejos. Quem compra e usa tem menos prazer do quem aprende a fazer e produzir.

Quem compra e usa tem menos aprendizado e desenvolve menos qualidades pessoais.

O que você deve exigir do seu filho? Persistência para que ele possa atingir o nível de eficiência. Ao final do projeto ele deve saber fazer alguma coisa bem.

Pode saber costurar bem roupas, tocar bem violão, arrumar um avião de controle remoto, etc. Cada um tem seus gostos. Mas, todos devem saber algo em profundidade.



5) Você quer protege-los da dor e das dificuldades

Pai e mãe devem ser amigos e facilitadores. Devem trazer facilidades para seus filhos. Por exemplo: facilitar o acesso à educação – seja transportando, orientando, comprando material escolar, etc. Esta tarefa de facilitação deve ser realizada de forma equilibrada. Jamais deve-se tentar impedir que o filho sofra decepções com os desafios da vida.

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Pais que se sentem culpados são costumeiramente os primeiros a quererem poupar os filhos. Bons pais permitem que os filhos errem e sofram com as consequências. Bons pais observam as dificuldades dos filhos com paz e serenidade.

Deve haver um justo equilíbrio entre facilitar a vida deles e permitir que as dificuldades sejam resolvidas por eles. Pessoas imaturas vão resolver problemas de forma imatura; ou seja, será mais complicado. Daí a necessidade de pai e mãe terem paciência e serenidade. Nada de se afobar e fazer por eles. Deixe-os sofrer. Se a situação for se agravando, intervenha, auxilie.

Sejam bons pais: bons pais observam o filho sofrer e o incentiva a melhorar.

É melhor seu filho sofrer e aprender sob sua supervisão, do que ficar despreparado e sempre na expectativa de que outro terá iniciativa em seu lugar. Crianças e adolescentes sem iniciativa viram preguiçosos e sem perseverança.



6) Você cria seu filho para ser um seguidor

O seguidor segue alguém ou algo. Ele se acostuma a ter prazer em ser igual aos outros, fazer igual, estar igual. Enfim, se sente bem em copiar.

O risco é sempre seguir algo que é externo. O mundo de muitas crianças, adolescentes e adultos é assim: pulando de desejo em desejo, sempre consumindo e concordando com valores que estão sendo propagados por alguém.

O azul está na moda? A pessoa descobre que adora azul. A moda mudou para o amarelo? Ela descobre que também adora o amarelo. Mas, não gosta tanto do azul. A roupa azul fica encostada. A “ideia azul” fica desprezada.

Grupos sociais, meios de comunicação, interesses econômicos usam do seu poder para incutir na mente das pessoas o que é do interesse deles. Querem que você faça do interesse deles o seu interesse. Por isto, o seguidor segue e tem comportamentos que são contra seus reais interesses e prioridades.

Grande parte do comportamento do seguidor é puro autoboicote. Quem segue o que estimulado por outros perde a chance de conquistar o que é realmente importante para si.

Por exemplo: crianças que muito desejam acostumam a desprezar o que já possuem. Brincam menos e ficam mais tempo insatisfeitas. O interesse destas crianças deve ser brincar com o que possui. Sempre foi assim na história da humanidade; por isto as crianças sempre foram tão felizes. Mas, aquela criança que se acostumou a desejar o que é divulgado na tv (por exemplo) tem necessariamente que desprezar o que possui. Se não desprezar, se valorizar o que possui, o desejo morre. Ou seja, você deve treinar seus filhos para que eles deixem morrer a imensa maioria dos seus desejos.

Como matar os desejos? Aprendendo que não tem problema nenhum frustrar seus desejos. Afinal, o que possui é mais do que suficiente para ser feliz. Ser diferente das outras crianças, não ter, não comprar, é uma forma de ser feliz. É a melhor forma porque é a forma mais simples e que está disponível sempre.

Crie seu filho para seguir a manada e ele vai seguir a manada. É assim que funciona a vida.

“Não tenha medo de frustrar seus filhos. Você já oferece o bastante. Mostre isto para eles e dê tempo para eles amadurecerem e entenderem a importância desta sua atitude.” (Fonte: http://www.psicologiaracional.com.br/2012/10/a-importancia-de-frustrar-seus-filhos.html )



Estes seis sintomas estão presente na vida da maior parte da população de classe média do Brasil. São hábitos, costumes e valores que precisam ser avaliados.

Todos eles são muito poderosos e produzem resultados muito diferentes do que aqueles que você quer produzir em seus filhos.

Leia de novo este texto junto com seu parceiro. Reflita. Boas mudanças são possíveis e quanto mais cedo acontecerem melhor.


Regis Mesquita é o autor do site Psicologia Racional e da coluna “Comportamento Humano” no site Carta Campinas


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