sábado, 30 de julho de 2011

EUA, o consumismo é o orgulho que destrói. Sua vida é assim?


Regis Mesquita

Um amigo me diz: "o que sobra para os EUA além de fazer guerra? Foi guerreando que todos os impérios acabaram".

Ele se referia à proposta dos republicanos, aceita por grande parte dos democratas, que cortam gastos com saúde, educação e assistência social e mantém intacta a máquina de guerra do país.

Ele me perguntou: "como psicólogo, como você vê isto"?

Respondi: ORGULHO.

Os EUA se desenvolveram em cima de conceitos nobres: trabalho, liberdade, igualdade. Os pioneiros impediam que alguém tivesse grandes propriedades de terra. Pois todos deviam ter a sua própria propriedade e aqueles que gerissem melhor ganhariam mais. Ou seja, EFICIÊNCIA e INOVAÇÃO.

Os EUA foram e ainda são o país do trabalho comunitário. No Brasil temos a idéia do público como o espaço de ninguém. Lá o público é o espaço de todos.

Lembro que visitei uma biblioteca nos EUA. O que me chamou a atenção era a quantidade de doações que a biblioteca recebia. Livros, computadores, o prédio, reformas do prédio, caderiras, mesas... Parecia que todos da redondeza faziam questão de colaborar. Este comportamento faz parte do ideal americano, aquele ideal que construiu o país.

Então, chegou o individualismo exarcebado, o incentivo ao orgulho, à vaidade, ao consumismo. Algumas décadas atrás a moda eram os Yuppies. Se gabavam de usar camisas apenas uma vez, depois jogavam fora. Extremamente consumistas, alienados e egoístas. Estes tipos se tornaram o ideal de vida de milhões de americanos.


Os presidentes Reagan, depois Bush, cortaram impostos dos mais ricos. (Mais ou menos o que querem fazer aqui no Brasil). Desregulamentaram o mercado financeiro - a ciranda financeira atingiu seu ápice. Enquanto isto os valores dos pioneiros foram ficando para segundo plano. Os sintomas: escândalos financeiros, um atrás do outro.

Sem valores nobres e incentivados ao consumismo exacerbado, o egoísmo tomou conta do país. Foi uma festa de consumo que já levou 15 milhões de famílias à falência. Levou o país a dever 15 TRILHÕES de dólares. Grande parte disto gasto em guerras e na máquina de guerra.

Uma nação que abandonou os ideais nobres de seus pioneiros, para se tornar uma nação Yuppie. É o caminho da destruição, da auto-destruição.

Isto acontece com pessoas e acontece com paises. Outro dia encontrei com uma mulher "acabada", deprimida, "sem futuro". Um dia ela foi uma jovem secretária, bonitinha, que gastava todo seu dinheiro com roupas, com "diversão" e outras vaidades. Uma vida futilidade. Uma vida desperdiçada muito rápida. Sua colega, que aproveitou a oportunidade para estudar e ajudar sua família, tem boa profissão, boa saúde e boa aparência. Ou seja, a boba está bem e a espertona está mal.

Os EUA resolveram ser os espertões do mundo. É o único país que imprime dinheiro a vontade (por enquanto) e repassa para o resto do mundo. Tudo para torrar!

Sem valores, sem dinheiro e preenchidos por vaidades e desejos de consumo, sobra o sentimento de derrota. Isto eles não querem aceitar.

Como se esconder deste sentimento de derrota e da necessidade de se arrepender e começar de novo? Orgulho.

Tem pessoas que perdem a vida, mas não perdem a pose. É isto que estamos vendo acontecer ao ainda grande país que são os EUA.

Consumismo, vaidade, orgulho, exibicionismo, narcisismo, egoísmo quando presentes e fortes geram uma coisa só: autodestruição.

Seja vida da ex-secretária, atual depressiva. Seja na vida de uma nação.

Leia mais aqui: EUA: 15 milhões faliram em 4 anos

Sobre o absurdo número de depressivos em São Paulo (muitos deles prisioneiros de um estilo de vida auto-destrutivo) clique aqui.

Aqui você pode saber sobre a falta de compaixão que norteou os cortes de impostos nos EUA.

A verdade é: sem compaixão, sem apoio ao próximo e sem caridade a chance de um país ou de uma pessoa crescer fica muito reduzida.

A secretária que ajudava financeiramente sua família, e que por isto não comprava as mesmas roupas que a secretária egoísta, MELHOROU DE VIDA. É muito fácil ver milhões de exemplos como este. Ela foi solidária, fugiu do consumismo e vive bem. A outra se esbaldou no consumismo, vaidade e exibicionismo e hoje está deprimida.

Qual exemplo você vai seguir na vida? O caminho da privação baseada no amor? Ou o caminho da realização de desejos destrutivos? São duas escolhas, e NÃO EXISTE O MEIO TERMO. Não se iluda!

Sem valores nobres você pode vencer, mas fica mil vezes mais difícil.




Fique à vontade para divulgar os textos do site Psicologia Racional.




2 comentários:

  1. Gostei muito do blog, e escrevo aqui às pressas na calada da noite. A única coisa que discordo é o que se está assumindo ao se dizer "os EUA" procuram a belicosidade, "guerrinhas". Está se assumindo que toda paz não requer conflito bélico, e que "os EUA" é o sujeito ativo. Quando na verdade esse sujeito é o mal do ser humano que aflora diante do poder, seja via lobistas, canetaço, corrupção ou comando de capital. Os EUA podem argumentavelmente ter exemplos maus e em grau maior por sua influência. Mas não são de maneira alguma o único exemplo. E o mal não é somente o evidente, mas também aquele disfarçado de bem (já outro assunto) que ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil. Temos que olhar para nós mesmos e entender a visão global, o capital não tem fronteiras, e é ele que hoje comanda, toda guerra é econômica. A guerra nunca parou, hoje é assimétrica, com eventuais guerras militarizadas. Os EUA estão de certo modo pagando a conta do Ocidente por incursões e fortificações militares. A história se repete, não sejamos ingênuos nem simplistas. Parte dessa guerra é a falta de empresas no Brasil porque foram parar na China onde o trabalho é praticamente escravo, enquanto isto pregamos moral? Não esqueçam também que o setor militar emprega uma fatia significativa da economia americana e mundial. Não foi graças ao Paquistão que pegaram o Bin Laden. Isso não quer dizer que eu defenda toda guerra americana. Favor corrigir a alusão de que os EUA são o único país sem moeda com lastro de outro, existem muitas outras, i.e. "imprimem dinheiro a vontade". Sem mais. MARCELO ELY DE OLIVEIRA

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  2. Gostei muito da postagem (EUA, Consumismo..., A sua vida é assim? http://www.psicologiaracional.com.br) blog, e escrevo aqui às pressas na calada da noite. A única coisa que discordo é o que se está assumindo ao se dizer "os EUA" procuram a belicosidade, "guerrinhas".

    Está se assumindo que toda paz não requer conflito bélico, e que "os EUA" é o sujeito ativo. Quando na verdade esse sujeito é o mal do ser humano que aflora diante do poder, seja via lobistas, canetaço, corrupção ou comando de capital.

    Os EUA podem argumentavelmente ter exemplos maus e em grau maior por sua influência. Mas não são de maneira alguma o único exemplo. E o mal não é somente o evidente, mas também aquele disfarçado de bem (já outro assunto) que ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil. Temos que olhar para nós mesmos e entender a visão global, o capital não tem fronteiras, e é ele que hoje comanda, toda guerra é econômica.

    A guerra nunca parou, hoje é mais assimétrica, com eventuais guerras militarizadas. Os EUA estão de certo modo pagando a conta do Ocidente por incursões e fortificações militares. A história se repete, não sejamos ingênuos nem simplistas. Parte dessa guerra é a falta de empresas no Brasil porque foram parar na China onde o trabalho é praticamente escravo.

    Não esqueçam também que: O setor militar emprega uma fatia significativa da economia americana e mundial. E que não foi graças ao Paquistão que pegaram o Bin Laden. Isso não quer dizer que eu defenda toda guerra americana. Mas clamo por uma visão menos simplista das coisas, usar os EUA como alegoria simplória da realidade não dá.

    Tire o dinheiro gringo do Brasil e voltamos ao bananal. Violência é sim a drenagem de dinheiro para fora do país, para ser investido onde? Em grande parte EUA, por enquanto, e arrisco dizer no futuro também, apesar de em menor proporção devido a globalização, enquanto ela durar.

    Guerra? Conta a pagar de guerra? Lembre da violência que é o número de mortes no trânsito e homicídios no Brasil que ultrapassam a cada e a todo ano o total de todos os anos da guerra do Vietnã.

    Por fim, favor corrigir a alusão de que os EUA são o único país sem moeda com lastro de ouro, existem muitas outras, ref. "imprimem dinheiro a vontade".

    Concordo, vamos acabar com o consumismo exagerado, mas vamos incluindo também os enlatados românticos de esquerda.

    Enfim, gostei do artigo apesar do contexto distorcido. Com certeza, a onda de consumismo está rasgando o tecido social.

    Sem mais. MARCELO ELY DE OLIVEIRA

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