segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pesquisa mostra o lado negro do otimismo. A importância de focar na realidade para fazer boas escolhas para sua vida.




A vida vai te ensinar que nem todo mundo é seu amigo. Cuidado com o pensamento positivo




Amigos do site Psicologia Racional,


Leiam o texto abaixo, é muito interessante.  O que estiver ENTRE COLCHETES {} são comentários meus.


Pesquisa mostra lado negro do otimismo –

{Nada mais natural que tudo tenha seu lado negro. Tudo que tem ação tem reação. É a lei da vida. Tudo que ilumina também escurece. Nossa mente não é capaz de captar a totalidade da realidade. Portanto, tem que fazer escolhas. Ao deixar parte da realidade de fora, as avaliações-conclusões-decisões ficam sempre parciais}

Ser otimista pode ser desastroso: a pessoa cria falsas expectativas, subestima riscos e se dá mal.

Mas não pensamos nisso. De acordo com as últimas descobertas da neurociência, somos mais otimistas do que realistas, o que não deixa de ser uma irracionalidade do cérebro. { Aqui está a primeira confusão do autor do texto – opor otimismo com realismo. Ser otimista ou pessimista não tem nada a ver com a realidade. São duas formas de substituir a realidade, usando pensamentos e sentimentos. Por isto, é chamado de “interpretar a realidade”.} O lado "dark" do pensamento positivo é objeto de estudo da neurocientista israelense Tali Sharot, que acaba de lançar o livro "The Optimism Bias -A tour of the irrationally positive brain" (o viés otimista, um tour pelo cérebro irracionalmente positivo), sem edição no Brasil.



Certo tipo de atitude esperançosa, tão incentivada pela cultura atual, "pode levar a enormes erros de cálculo e fazer com que as pessoas não façam exames de saúde, não apliquem protetor solar ou não abram uma Poupança", disse à Folha Sharot, que é pesquisadora da University College London. {O otimista não é mais alienado do que o pessimista. A mente "esconde" parte da realidade para reduzir a quantidade de variáveis que tem que lidar. Faz isto para ter foco, objetivo. Um pessimista pode, por exemplo, morrer de sede a 100 metros de uma fonte de água, porque desistiu de procurá-la. O importante é ter a mente clara, focada em viver bem e eficientemente.}


Ela estudou como o viés positivo se forma no cérebro. Para isso, registrou as atividades de voluntários enquanto eles imaginavam eventos futuros e passados.

Descobriu que a maioria das pessoas, cerca de 80%, acha que o futuro será melhor. E muitas delas imaginam cenas hollywoodianas. {Pessoas são sonhadoras. Faz parte da vida. Pessimistas também sonham - por exemplo: ficam remoendo situações da vida. O importante é aprender a não gastar tempo com sonho e sim com o presente.}

"Achamos que não vamos ter câncer, nos divorciar ou perder o emprego. E pensamos que vamos viver até 20 anos a mais do que a expectativa de vida." {Todos nós nos alienamos da probabilidade de morrer ou ter câncer porque a PROBABILIDADE de acontecerem estas desgraças em nossas vidas no presente é muito menor do que conseguir atingir uma meta. Mesmo quando pensamos no futuro, a mente foca o presente (atenção, esta informação é importante).}

É como se as estatísticas não funcionassem em primeira pessoa(eu). A explicação para o viés positivo é evolucionista: sem o otimismo, ninguém atravessaria a rua. { Errado, é probabilístico. Se eu observar o trânsito, os riscos de ter um acidente atravessando a rua são mínimos. Porque vou focar em desgraças, se são pouco prováveis? A mente precisa de foco, sempre. Foco na realidade: atenção. }

"É uma forma que a espécie encontrou para seguir em frente, enfrentar o presente e fazer a vida correr", diz Roberto Lent, neurocientista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para a neurologia, o otimismo é a formação de imagens mentais no cérebro, nas mesmas regiões em que ficam as lembranças. "A projeção do futuro é, muitas vezes, feita em comparação com o passado", complementa Lent. { Tudo funciona assim: otimismo, pessimismo, niilismo, etc. O cérebro funciona assim. }

 Já para a filosofia, o pensamento positivo pode ser visto como uma premissa, segundo Jorge Claudio Ribeiro, professor da disciplina na PUC de São Paulo.

"A fé é a atitude básica da vida humana. Se não temos fé, não comemos fora de casa e não bebemos água, porque pode estar contaminada. O otimismo vem antes da desconfiança." {É antes de tudo, análise de risco. Se você comer em um restaurante e achar que vai morrer, está doente da mente. A análise de riscos pode ser bem feita ou mal feita. }

{A fé existe e dá esperanças para muitas pessoas. Todavia, a mente humana é capaz de ter esperança, desestímulo, dúvidas, etc. É capaz de ter tudo isto ao mesmo tempo. As pessoas são muito complexas. Existe um jogo de forças dentro da mente de cada ser humano. Este jogo de forças é fundamental para o bom funcionamento da consciência.}

Segundo a terapeuta Dulce Critelli, o futuro pauta as ações do presente. "O homem não vive em função do que já foi ou já fez, mas do que pode ser. Marcamos nossas agendas para amanhã. Atravessamos a rua buscando algo que não temos." { ela está correta. Isto se chama efeito teleológico. Seguimos um script.}

O problema (ou o risco) é que só é possível projetar o futuro por meio da fantasia. E daí a perder a mão e ser fantasioso demais é um pulo.



LENTE COR-DE-ROSA

Ser muito otimista é como fugir da realidade, explica a psicanalista Giselle Groeninga, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. {Ser pouco otimista também. A mesma coisa se for pessimista. É sempre a mente escolhendo parte da realidade e desprezando o resto. Quanto mais desprezar da realidade, pior.}

"Pode ser um mecanismo de defesa para evitar o sofrimento. A pessoa passa a viver num mundo de fantasia e, muitas vezes, para continuar nesse nível, falseia mais e mais a realidade." {99% das pessoas vivem primordialmente na fantasia, inclusive as que sofrem muito. Por isto é tão importante aprender a contemplar, “parar” os pensamentos, deixar de ter a mente reativa, etc.}

Trata-se de um otimismo não realista, vendido por muitos best-sellers que prometem pílulas de ânimo. Para Critelli, é como se esses livros se aproveitassem do possível viés otimista descrito pelos neurologistas: quem acredita, compra.

Lidia Weber, psicóloga e professora da Universidade Federal do Paraná, diz que, apesar de ser uma forma de placebo (e placebo pode funcionar), o otimismo de autoajuda é alienante. "Achar que podemos tudo é muito ingênuo. Podemos acreditar tanto que não faremos nada de fato."

Ela é pesquisadora na área de psicologia positiva, ramo que procura prevenir, e não apenas tratar transtornos mentais. {Achar que podemos mais ou menos é alienante, achar que podemos pouco também é alienante. De novo, o problema é o ACHAR. Ou seja, pensamentos/sentimentos substituindo a realidade.}

A psicologia positiva surgiu há mais ou menos duas décadas com o pesquisador americano Martin Seligman. Para ele, o otimismo pode e deve ser aprendido -e isso não é autoajuda, diz Weber. "O otimismo é fundamental. É como uma vacina contra problemas emocionais. Mesmo com o risco de alienação, prefiro o otimismo em excesso que o pessimismo."

A neurocientista Tali Sharot afirma que grande parte das pessoas pessimistas (das 20% que sobram, já que 80% acreditam num futuro melhor) poderiam ser diagnosticadas com algum transtorno de humor. Mas, mesmo assim, ela acredita que até essas podem ter algum viés positivo.
SUICIDAS

Paulo de Tarso Lima, médico que atua na área de medicina integrativa e trabalha com pacientes que sofrem de câncer, reconhece que um pouco de pessimismo é fundamental no tratamento de doentes crônicos. "Estar conectado com a realidade é a base do tratamento. Otimismo em excesso pode ser tão prejudicial quanto pensamentos negativos." {De novo a confusão – pessimismo não é estar mais próximo da realidade. Nem otimismo mais longe. A questão é ter foco, lidar com as prioridades, captar as variáveis relevantes da realidade, tomar atitudes coerentes, aprender com as adversidades, atingir estados elevados de consciência, etc.}

Na psicanálise, pessimismo e otimismo são complementares. "Fazem parte da nossa leitura da realidade. Oscilamos entre os dois lados", afirma Groeninga. {Sempre oscilamos. É assim que funciona a mente humana. Esta é a base da consciência.} Neste contexto, ser pessimista deve ser entendido como ser realista{???}, e não como desejar coisas ruins.

A filosofia também vê um lado bom no pessimismo e inverte a lógica pela qual o pensamento positivo é vendido como o segredo do sucesso. {O importante é o pensamento ser o mais próximo possível da realidade e lidar com as variáveis realmente importantes para a solução de cada dificuldade. Por exemplo: a pessoa que está com insolação precisa de água. Ela pode tomar água do mar ou água de coco. Os resultados serão completamente diferentes. Não há positividade ou negatividade que irá mudar os resultados. Ou seja, mais importante que ser positivo ou negativo é ser eficiente.}

Ao contrário: se formos menos otimistas, conseguiremos viver melhor, explica Deyve Melo dos Santos, professor de filosofia da Universidade Federal da Paraíba. {É verdade pra algumas pessoas. Porém, outras “qualidades” são mais importantes: resiliência, gratidão, objetividade, perseverança, etc.}

Ele estudou a obra do romeno Emil Cioran (1911-1995). Para Cioran, são os otimistas que se suicidam. O pessimista não tem por que se suicidar, ele já sabe que o mundo não é bom. O otimista imagina um mundo perfeito e, quando acontece uma tragédia, ele não aguenta.  Pensar coisas ruins pode, então, baixar as expectativas.

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"A realidade é uma só e é essencial para o futuro. Digo isso aos pacientes. Eles ficam melhores quando não pensam nem no pior nem no melhor", diz Lima. Difícil é conseguir isso. {Na verdade, as pessoas devem pensar no melhor, no pior, nos vários cenários possíveis para a vida. Devemos lidar com probabilidades – e aprender com cada uma destas possibilidades.}

{A mente não consegue lidar com todas as variáveis ao mesmo tempo. Por isto, é necessário traçar vários cenários possíveis de acontecerem em cada situação. Pois cenários diferentes levam em conta variáveis diferentes. A decisão torna-se mais consistente, e as escolhas das ações a serem tomadas no presente ficam mais racionais}.

{É o presente que vale. Ele é que existe. Ações devem acontecer no aqui-agora. O grande desafio é tomar as decisões corretas, na hora certa. Para isto, o mais importante é avaliar corretamente a realidade.}

(Fonte: UOL)

Comentários: Regis Mesquita
https://twitter.com/mesquitaregis


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Sua ansiedade não surge de você pensar no futuro. Surge de você ficar querendo controlá-lo. Kahlil Gibran














Um comentário:

  1. É verdade o otimismo por vezes nos leva ao comodismo, se tudo vai dar certo no final por que vou me preocupar? por lado o pessimismo pode levar a se esforçar mais ou a nem tentar. o ideal é saber dosar.

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