quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Depressão: antidepressivos são mais eficazes do que placebos?





BRUCE E. LEVINE

Muitos deprimidos relatam que antidepressivos são eficazes para eles, mas os antidepressivos são mais eficazes do que uma pílula de açúcar? O pesquisador Irving Kirsch [professor de psicologia da Universidade de Hull no Reino Unido, e emérito da Universidade de Connecticut, além de autor do livro The emperor’s new drugs (As novas drogas do imperador)] vem tentando responder a essa pergunta durante uma boa parte de sua carreira.

Em 2002, Kirsch e sua equipe na Universidade de Connecticut avaliaram retrospectivamente 47 estudos de tratamentos contra a depressão que haviam sido patrocinados por farmacêuticas responsáveis pelos antidepressivos fluoxetina, sertralina, paroxetina, venlafaxina, citalopram e nefazodona. Muitos desses estudos não haviam sido publicados, mas todos haviam sido submetidos à Agência de Drogas e Alimentos dos EUA (FDA; todos os acrônimos são em inglês), de modo que Kirsch usou a Lei de Liberdade da Informação para obter acesso a todos os dados. Ele descobriu que, na maioria dos ensaios clínicos, os antidepressivos não conseguiram superar em desempenho as pílulas de placebo. “Todos os antidepressivos”, relatou Kirsch em 2010, “incluindo os bem conhecidos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (SSRI), não causaram benefício clinicamente significativo em relação a um placebo.” Embora se tomados como um todo, os antidepressivos superem os placebos ligeiramente, a diferença é tão pequena que Kirsch e outros a descrevem como “clinicamente desprezível”.


Por que muitos médicos não estão a par da falta de vantagem dos antidepressivos em relação aos placebos? A resposta se tornou clara em 2008, quando o pesquisador e clínico Erick Turner (atualmente no Departamento de Psiquiatria e no Centro de Ética em Saúde, Universidade de Saúde e Ciências do Oregon) descobriu que estudos de antidepressivos com desfechos favoráveis tinham muito maior chance de serem aceitos para publicação do que aqueles com desfechos desfavoráveis. Ao analisar estudos publicados e recusados de antidepressivos, todos registrados junto ao FDA, no período de 1987 a 2004, Turner descobriu que 37 de 38 estudos com desfechos favoráveis foram publicados; no entanto, relatou Turner, “estudos que o FDA julgou ter resultados negativos ou questionáveis [para os antidepressivos] foram, com três exceções, ou recusados para publicação (22 estudos), ou publicados de uma forma que, em nossa opinião, transmitiu a [falsa] impressão de um desfecho positivo (onze estudos).”


Para conhecer o artigo completo do autor clique aqui.

Não existe área mais vulnerável à propaganda enganosa do que a saúde mental. Nesta área existem muitos mitos que dificultam a tomada de decisão consciente por parte dos pacientes.

Eu recomendo que os pacientes com depressão séria e com mais de 3 meses tomem remédios. Se a depressão for causada por algum fator externo, como a morte de um filho, não deve tomar remédios (salvo excessões).

O autor mostra que os medicamentos possuem eficiencia reduzida, frente aquela que teria a pessoa se tomasse um placebo. Portanto, existe a possibilidade do paciente não tomar o remédio, se assim considerar conveniente.

Um comentário:

  1. Boa tarde a todos!!

    Apreciei sim o artigo pois chama mesmo a atenção para a ética profissional,sou um estudante de psicologia e percebo o quanto mesmo numa simples conversa muitos problemas podem se resolverem com análises e não como um simples desabafo .A medicação eu não a contraindico mas peço comedimento,moderação.
    Abraços Reginaldo Flozino de Souza.

    Anápolis-Goiás

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