sábado, 21 de maio de 2011

Armas Silenciosas - estratégias para criar crianças e adolescentes medíocres e sem força



quem oferece companhia, segurança e orientação é quem controla a cabeça da criança





Regis Mesquita
@mesquitaregis



Eu compartilho com vocês partes de um texto do pensador NoamChomsky.

O texto fala de 10 estratégias de manipulação. Reproduzo três destas estratégias. Sugiro que após ler este texto, vocês leiam o meu texto anterior: O futuro e a educação dos seus filhos

Observem como existe um esforço de imbecilização da sociedade. Este processo gera sérios problemas na educação de crianças e adolescentes; e reflete nas escolhas de adultos. Após os trechos, eu comento.

"7 – Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância planejada entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser alcançada para as classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

8 – Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.

Promover a crença do público de que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9 – Reforçar a auto-culpabilidade.

Fazer crer ao indivíduo que somente ele é culpado por sua própria desgraça devido à insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, em vez de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se menospreza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição da ação do indivíduo. E sem ação não há revolução"!




Comentário:

Meus filhos assistem televisão por pouquíssimo tempo: 20 minutos durante a semana. Duas horas, em média, no final de semana inteiro. Eu costumo acompanhar os programas que eles assistem. Um deles chama-se "iCarly". Neste programa, os garotos são absolutamente autônomos, até porque TODOS os adultos são idiotas. Professores idiotas, uma mãe é alcoólatra ou ladra (ainda não entendi direito), outra é maluca e "desregulada", os outros moram fora e deixam a filha com o irmão mais velho - um idiota. O porteiro do prédio é idiota, e por aí vai. No meio de tantos adultos idiotas, os personagens centrais são autônomos e desprezam os adultos inconvenientes. (Os outros programas também vão nesta linha).

No intervalo entram as propagandas. Numa delas um menino acorda, ao invés de tomar café da manhã, ele toma o suco Tang. Sozinho, ele escolhe o que tomar e sai correndo pela rua ao som da música de Rocky, o lutador. Este menino é o herói da limpeza do mundo - é o esquadrão verde Tang. Todos os outros garotos e garotas vão seguindo-o, afinal ele tomou Tang no seu café da manhã - só Tang.

Esta propaganda ultrapassou o limite de uma simples fantasia. É mentira pura! Enganação! Os estrategistas da empresa querem induzir um comportamento negativo para aumentar as vendas e ganhar mais dinheiro (o maior concorrente do Tang é a alimentação saudável). Pior do que isto, o conjunto propaganda e programa, influenciam as crianças e adolescentes no sentido de NÃO confiarem nos pais e nos adultos (professores, etc).

Se eles não confiam nos pais, irão confiar em quem?

É assim que se forma uma geração de seguidores, sem força e alienados.

Para que sejam consumidores cegos ("os seguidores") tem que haver a alienação e a mediocridade. E alienação e mediocridade começam quando se destrói o respeito, a amizade, a confiança. A estratégia é criar a desilusão: porque vou estudar se os professores são este monte de idiotas?  É importante criar a sensação de desproteção (a mesma que escuto de dezenas de adolescentes no meu consultório): se meus pais são idiotas, eu estou desprotegido.

Se estou desprotegido, tenho que seguir alguém. Advinha quem ou o que eles seguem: como imitadores/seguidores, seguem o que vem até eles através dos exemplos divulgados por quem tem poucos vínculos afetivos (artistas ou personagens infantis, por exemplo).

Pense bem:   como um adolescente escuta um adulto (na mente deles está gravado que adulto é igual a idiota, lembrem-se) falar sobre os perigos das drogas? Desperta até a vontade, pois se um idiota fala contra, é porque ele é um idiota.

A complacência com a mediocridade é a regra. Fazer mais ou menos é a regra. Aprender mais ou menos é a regra. Não ter determinação, se cansar assim que começa, desistir. Ficar insatisfeito e cheio de desejos. Tudo isto virou regra. Coitadinhos!

A parte final é a culpa. Somos os responsáveis por nós mesmos. Mas não podemos fazer tudo. Não somos só indivíduos, somos seres sociais. Temos que assumir nossa responsabilidade e exigir que os outros cumpram suas responsabilidades. Temos que pensar, refletir, temos que buscar soluções.

Uma boa parte das soluções para nossa vida depende de trabalho em grupo, parcerias e propostas para mudar a sociedade.

Uma das principais tarefas de todo o ser humano é superar a culpa e se aprimorar intelectualmente e afetivamente, para poder ofertar e distribuir o que é bom. O ser humano foi planejado para funcionar assim, ser feliz assim.

Se ele for medíocre, será infeliz, pois sem trocas, o corpo e mente não aguentam.

Sendo infeliz, ele vai buscar compensações. Todo tipo de imitação. A mídia vai dar a este conjunto de compensações o nome de qualidade de vida.

Deus foi muito sábio quando organizou a natureza! Ele nos organizou para desenvolvermos qualidade e compartilhá-las. Esta é fórmula de viver bem.


Exercício mental: 

Vá à uma loja de produtos infantis. Observe os produtos que estão à venda e os personagens que ilustram estes produtos.

Camiseta do personagem x, bicicleta do personagem y, yogurte do personagem w, etc.

Reflita:

Depois de passar quatro horas diárias vendo estes personagens, as crianças passam a consumir produtos indicados (ilustrados) por estes personagens.

Agora imagine a IMPREGNAÇÃO MENTAL maciça: “o que vem da televisão é bom e me dá prazer”.

A criança toma banho com os produtos dos personagens, veste o pijama dos personagens, fica horas isolado com os personagens em frente da tv.

O prazer da vida dele é o que vem da televisão.

Porque estão MACIÇAMENTE expostos a estes estímulos aprendem a CONFIAR em quem lhes faz tanta companhia e lhe dá tanto prazer.

Os alimentos gostosos são aqueles que estão com os personagens, seu dia é junto destas pessoas/personagens.

A IMPREGNAÇÃO MENTAL está em curso com a estimulação maciça.

Abra os “olhos” da sua mente:

Deixe de considerar normal esta situação.

Ela é perigosa. Ela é destrutiva.

É uma forma moderna de “lavagem cerebral”, pura doutrinação.

Saia da ilusão da “brincadeirinha”. Não existe nada inocente.

Tome uma decisão:

Meu filho não será impregnado.

Oferecerei opções para que ele não use a televisão ou use-a no máximo uma hora por dia.

Não consumirei nenhum produto que tenha personagens ilustrando-os ou fazendo propaganda.

Explicarei para meus filhos que aqueles personagens não são amigos dele. São formas dele se divertir e o dono dos personagens ganharem muito dinheiro.

A TAREFA DOS PAIS É AFASTAR OS FILHOS DO EXCESSO DE INFORMAÇÃO, PRINCIPALMENTE AS INFORMAÇÕES QUE VEM DE MEIOS ELETRÔNICOS.

Lembre: não se acomode com informações que considera positivas. O grande problema é o excesso de informações, principalmente de meios eletrônicos (leia o texto: O todo poderoso Reflexo de Orientação, o stress e o déficit de atenção )

A VERDADE:

QUEM OFERECE COMPANHIA, ORIENTAÇÃO, SEGURANÇA E SATISFAÇÃO É QUEM “GANHA” A MENTE DAS CRIANÇAS.




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Caso real:

Pai estava educando o filho e, por isto, não comprou um brinquedo para ele. O filho acusa o pai de não dar brinquedos para ele, como o Mc Donalds dá.

Na cabeça da criança o Mc Donalds é tão legal que dá brinquedinhos para ele. Por isto, ele gosta e confia no Mc Donalds (ele sente segurança e prazer quando lembra da empresa).

O pai, corretamente, explicou que a empresa não dá nada para o filho. Aliás, o tratará muito mal se ele chegar sem dinheiro lá. A empresa quer dinheiro, não quer ser um amigo verdadeiro dele.

A criança fica indignada!

O pai leva o filho até a lanchonete e fala para ele ganhar um dos brinquedinhos.

O filho vai até o caixa e pede um. O caixa explica que o pai dele tem que pagar. O filho insiste e o caixa chama outro da fila e dá atenção à outra pessoa.

O pai abraça o filho e explica a verdade. Quem está sempre ao lado dele é o pai e a mãe. Na hora da doença o Mc Donalds jamais cuidaria dele, não é esta a função da empresa. Ela quer ganhar dinheiro e para isto faz de conta que é amigo dele. Fazem propaganda falsa e enganadora.

A criança fica triste, mas entende que seu pai é o seu verdadeiro amigo. Desta descoberta surge mais amor e confiança entre pai e filho.

O desapontamento do filho é a condição dele ser forte e encarar a verdade. Afinal, está seguindo um péssimo caminho uma criança com a mente doutrinada para sentir segurança e satisfação com o Mc Donalds e desconfiar da amizade do pai.

Educar é o que este pai fez. Jamais tenha dó de mostrar a verdade para seus filhos.



Leia também:

















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5 comentários:

  1. Parabéns quem escreveu este artigo.

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  2. Parabéns pelo artigo. Adorei, muito bom mesmo.

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  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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