domingo, 6 de julho de 2014

Paciência para aprender com a realidade: o caso do programa Mais Médicos



Observar mais. Julgar menos. O sábio tem paciência para aprender com a realidade.




Se alguém chegar até você e perguntar: qual a sua opinião sobre “tal coisa”?

Responda: “estou observando. “

Não tenha a menor pressa para ter sua opinião; ou seja, evite julgar.

O cérebro funciona assim:

Quando ele está frente a algo novo, a primazia de avaliação é do instinto de sobrevivência.

Ou seja, o cérebro prioriza a avaliação de riscos e possíveis efeitos negativos.

É por isto que as pessoas que julgam muito são, geralmente, muito negativas.

Elas observam com muito mais facilidade o que avaliam ser negativo e desprezam as outras partes da realidade.

Com o passar dos anos ficam condicionadas e dependentes do negativo (problemas, conflitos, tensões, etc) para manterem o interesse e a atenção.




Observe esta situação:

Um dia de semana, ligo o rádio e escuto a notícia: em uma cidade do interior dos Estados Unidos um automóvel escorregou na neve e trombou em uma árvore. Acho que uma mulher morreu e o homem foi levado para o hospital.

Porque esta rádio do interior do estado de São Paulo, Brasil, escolheu esta notícia para divulgar?

Pessoas viciadas no negativo precisam deste tipo de informação para prestar atenção nas notícias e desta forma NÃO mudarem de emissora.

Em outras palavras: se a rádio divulgasse notícias importantes e positivas (propositivas, esclarecedoras, etc.) a mente da pessoa viciada no negativo ficaria cada vez mais alienada da rádio.

O resultado seria um completo desinteresse, fazendo com que a pessoa mudasse de estação.

O que aconteceu com a pessoa viciada no negativo?

Acostumada a buscar opinião sobre tudo, ela foi CONDICIONANDO sua mente a ser rápida em julgar.

Rápida em julgar significa “ativar” o instinto de sobrevivência a todo momento (daí o aumento brutal do stress em nossa sociedade).

Desta forma, o que é valorizado (o que prende a atenção) é o negativo ou o que “evita” (alívio) efeitos negativos.

Se a rádio não noticiar o negativo o ouvinte perde o interesse ( as pessoas juram que não funcionam assim, mas a maioria funciona.  – procure saber mais sobre a mente clara e a mente reativa).







O presente é sempre novo; portanto, sempre possui uma dose de desconhecido.

O desconhecido gera insegurança e dúvida.

Esta característica do presente já é o bastante para “ativar” a necessidade de julgamento e de sobrevivência – devem ter opinião sobre tudo.

Preste atenção: os viciados no negativo identificam o presente pela ótica do stress e da tensão.

A pessoa que está acostumada a julgar vive altamente estressada.

Dependente do negativo, ela encontra-o facilmente no momento atual de sua vida (pois sua atenção está dirigida para encontrá-lo e hipervalorizá-lo).

O presente torna-se um incômodo para estas pessoas. Elas têm baixíssima tolerância para lidar com ele.

Elas não conseguem focar no presente e aprender com a realidade completa.



Qual o segredo de uma pessoa sábia?

A operação de focar o presente exige serenidade, paciência, paz e aceitação.

São recursos que surgem quando o instinto de sobrevivência está “desligado”.

Uma das formas de forçar o “desligamento” do instinto de sobrevivência é treinando adiar as opiniões (julgamento) ou manter-se neutro (sem opinião).

Tolerar se manter no “não saber” por tempo suficiente para que o aprendizado tenha tempo para entrar na mente e se associar a sentimentos e emoções nobres.

Em outras palavras: a pressa é inimiga bondade, a paciência é inimiga da preguiça, etc. Cada traço nobre dificulta a ação de um traço “negativo” e vice-versa.

Associando-se com sentimentos e emoções nobres, o conhecimento tem a oportunidade de transformar-se em sabedoria.



Vou dar o exemplo do programa “Mais Médicos” que traz médicos estrangeiros (a imensa maioria cubanos) para atender a população mais carente do Brasil.

Em julho de 2013 o programa começou. Era o presente, o novo que gera insegurança.

Frente à insegurança surgem dúvidas: será que dará certo? Será que estes médicos são bem preparados? Eles conseguirão se comunicar com a população? Os médicos brasileiros vão ser demitidos?

Muitas dúvidas surgiram.

O que acontece com a mente de quem está treinada a julgar rápido?

Ativa o “instinto de sobrevivência” e tenta ter opinião (positiva ou negativa) o mais rápido possível.

Mais do que os dados da realidade, estas pessoas buscam embasar suas opiniões  nas experiências do passado e em dados negativos divulgados pela imprensa.

Sob o domínio do medo constante e da insegurança/ansiedade persistente, elas tornam-se “máquinas” de julgar e “máquinas” de desejar.

Elas não cultivam a observação da realidade. Nem possuem paciência e nem resistência à frustração; qualidades necessárias para observar pacientemente antes de formar sua opinião.

Se tivessem estas qualidades poderiam dizer: estou observando, para aprender mais e então poder me decidir.

A decisão do observador demora mais, porque é embasada em dados de realidade.

É a realidade que tem a primazia em sua mente (no caso dos “Mais Médicos” são os dados e as experiências das pessoas atendidas).

O que motiva o observador é o TESÃO DE APRENDER e ser eficiente.

O que o motiva é o carinho por si mesmo. Esta pessoa sabe que escolherá o melhor para si se esperar o tempo necessário para que a “semente desabroche” e ele possa aprender.


A verdade é uma das faces da bondade


Em junho de 2014 são aproximadamente 14 mil médicos participando do programa Mais Médicos.

São dezenas de MILHÕES de consultas realizadas.

Agora, a realidade pode responder às perguntas:

Será que estes médicos são bem preparados? São sim. Com dezenas de milhões de consultas realizadas são pouquíssimos os casos de erros médicos.

Eu segui vários blogs, sites e “redes sociais” criadas para denunciar erros dos médicos estrangeiros.

A maior parte já FECHOU por total irrelevância das “denúncias”.  (Na minha opinião estes sites são muito bem vindos. Um dos maiores problemas do Brasil é o corporativismo que dificulta a punição de erros. )

Paciência para esperar e observar o que acontece na realidade. O nome disto é sabedoria e paz de espírito.

Médicos ruins, sejam brasileiros ou estrangeiros, devem ser identificados. Ou estudam mais ou deixam a profissão.

Se os estrangeiros realizaram DEZENAS DE MILHÕES de consultas e a porcentagem de problemas foi baixíssima; significa que são tão bem preparados quanto os médicos brasileiros.



Eles conseguiram se comunicar com a população? Sim , estão conseguindo se comunicar. A prova são os atendimentos realizados.

Os médicos brasileiros foram demitidos? No Brasil sobram vagas de médicos. Ou seja, faltam médicos. Parece que houve poucos casos e que foram solucionados.

Em outras palavras: sejam bem-vindos, 14 mil médicos do mundo (cubanos e outros).

Cuidem com carinho de nossas crianças, de nossos idosos e dos mais carentes.



Saber esperar e observar a realidade é uma das melhores formas de desenvolver a paz no coração e a serenidade na mente.

Tolerar focar o presente e manter a atenção focada para aprender é um treino mental que deveria ser feito por todos.

É a forma mais poderosa que a natureza criou para você sair do stress e desenvolver o prazer de aprender.

Observe a realidade. Tenha paciência. Fuja de fontes de informações agressivas, histéricas e acusatórias.

Não fique preso nas mesmas fontes de informações. Diversifique suas leituras.

Principalmente: escolha alguns temas para seguir durante bastante tempo.

A mídia tradicional gosta da novidade, porque na pressa é mais fácil de projetar sua ideologia e gerar o negativo (que faz o viciado em negativo prestar atenção).

Uma das táticas da mídia tradicional é tentar ridicularizar os argumentos de quem pensa diferente dela (que são as pessoas que tem outro ponto de vista e enriquecerão seu saber).

Após um breve período, ela (a mídia) muda de assunto. 

O observador deve manter-se focado, pois é a hora de aprender e desenvolver a sabedoria.



Observe mais e julgue menos.

Treine sua mente para aprender  e viva com mais sabedoria e qualidade de vida.

Lembre-se: o que ocupa sua mente é que determinará suas escolhas e os resultados da sua vida.

Recomendo a leitura deste texto do blog Caminho Nobre:




Reflexão sobre o presente:

O presente possui sempre algo novo.

O presente é o começo do futuro, os primeiros sinais do que o futuro trará.

Portanto, as lições do passado sempre estão incompletas; da mesma forma que nossa evolução não está completa.

Refletir sobre o passado e não ficar preso ao passado.

Usar o passado como experiência, mas sabendo que é uma experiência limitada.

Este traço de humildade e sabedoria te permitirá se sintonizar com o presente e aproveitar as oportunidades que estão no aqui e agora.



Resumindo: quando você não conhece profundamente algo, você não terá argumentos sólidos para decidir. Sua opinião/decisão será tomada usando argumentos de outras pessoas ou empresas de mídia. Também poderá ser fundamentada em preconceitos ou em eventos do passado. Ou seja, a probabilidade de sua mente ser manipulada é muito grande. A chance de você ser injusto e não aprender com a realidade também é grande. O melhor é observar com paz e serenidade. Portanto, perca a mania de julgar e de opinar sobre tudo.


Autor: Regis Mesquita
Contato e Terapia: regismesquita@hotmail.com




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Estenda a mão ao invés de apontar o dedo para julgar.




Para refletir:

A vida não para. O presente é o passado que mudou.

Você vê o passado igual ao presente porque sua mente ainda está presa ao passado.

O presente é diferente. Mas você ainda está lá, enxergando o passado.

A vida se abre na sua frente, mas você não se abre para ela.

Fica presa, porque é preciso um pouco de coragem para se desapegar e se soltar para viver o presente.

Mesmo que surjam opções, você não se abre para o que é diferente e surpreendente.

A vida se renova, mas você se prende ao passado.

Regis Mesquita

Se você estiver preparado para assumir a responsabilidade pela sua própria vida, você vai adorar o blog Caminho Nobre.





Para refletir 2:

Conheci um homem que todos os dias se dava um presente. Nunca, absolutamente nunca, gastava dinheiro com os presentes.

Dizia ele que ao se presentear era obrigado a olhar ao seu redor e descobrir alguma coisa, situação ou possibilidade que estavam esquecidos ou não percebidos.

Ano após ano aprendeu a descobrir todas as potencialidades que estavam presentes em sua vida; e não as desperdiçava.

Ele conquistou a paz e a felicidade de modo simples e objetivo.

Que tal tentar fazer o mesmo que ele por apenas 30 dias?

Convide outras pessoas para este desafio.

Regis Mesquita

Mude a forma como você olha para as coisas.



Leia também:
















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