domingo, 14 de julho de 2013

Médicos cubanos no Brasil e o negativismo das elites brasileiras







Regis Mesquita



O governo brasileiro oferece 10 mil reais para médicos trabalharem no interior do Brasil.
São milhares de vagas. Quem tiver interesse, é só se candidatar.
É o programa “Mais Médicos para o Brasil”. 

Entre a classe médica o repúdio é muito grande.
Sentem-se ofendidos, principalmente porque virão médicos de outros países para as vagas que os brasileiros NÃO quiserem.
Virão médicos de Portugal, Espanha, Cuba e outros países (isto se deputados e senadores não atrapalharem).
O que era para ser simples, torna-se complicado com as desculpas e enganações.
Existe a vaga para o profissional que quiser e existe o dinheiro para pagá-lo. Existem pessoas precisando de tratamento médico e existem sofrimentos.
Existem desafios, que com boa vontade serão resolvidos.
A vida boa é feita de desafios que são vencidos progressivamente.

Não faltam médicos, faltam condições de trabalho – dizem os cartazes de médicos (1).
A verdade: centenas de concursos públicos foram abertos e não apareceram médicos suficientes.

Todas as pessoas têm o direito de escolher onde morar e onde trabalhar. Médicos, enfermeiros, engenheiros, dentistas, encanadores – todos são livres para escolherem suas vidas.
Todavia, um país não pode ficar refém de uma classe profissional.
Existem crianças doentes que merecem ter médicos para atendê-las.
Se os médicos brasileiros não querem trabalhar no interiorzão do Brasil por 10 mil reais (ou mais), que venham médicos de outros países.
Reserva de mercado só serve para perpetuar sofrimento e enriquecer algumas pessoas; enquanto os custos aumentam e os impostos para pagar ficam maiores.
Existem municípios pagando 20 mil reais para médicos. Some-se a isto os benefícios e chegará à uma conta de mais de 30 mil reais mensais.
Haja imposto para conseguir pagar tudo isto.

Aí é que entra a maldade disfarçada de interesse e questionamentos. Desculpas e mais desculpas são usadas.
Exemplos de desculpas:
Não basta colocar médicos e não dar condições de trabalho.
Virão médicos despreparados para o Brasil. 
Como eles vão atender se não falam português?
Como um médico vai trabalhar sem hospital por perto?


O que acontece é que quem dá desculpas geralmente quer que tudo fique igual.
O alcoólatra diz que vai parar de beber.
O preguiçoso promete que no ano que vem será o mais trabalhador da cidade.
E o médico interessado em shopping diz que vai morar no interior da Amazônia se tiver melhores condições de trabalho.

A maldade da desculpa está em desmotivar as pessoas, gerar promessas que não serão cumpridas e negativizar a realidade. A desculpa gera paralisia e baixa autoestima.

Qualquer médico estrangeiro pode aprender o português. Esta é uma condição básica para que trabalhem no Brasil. Depois que aprenderem o português poderão ser contratados.

Médicos estrangeiros terão seu conhecimento avaliado. Só maluco não avaliaria o conhecimento de um profissional antes de contratá-lo. Empresas fazem isto, você faz isto, o governo federal fará isto.

Muitos de países importam médicos. Nesta reportagem você verá que a Inglaterra importa médicos até da pobre Libéria.

Negativizar a realidade é uma das táticas dos mais maldosos. Dizem que a medicina de Cuba é horrível.  Centenas de milhares de pacientes do mundo inteiro vão até Cuba todos os anos para se tratarem. Eles não vêm para o Brasil, escolhem Cuba para se tratarem. Uma das maiores fontes de renda de Cuba é justamente... os pacientes que saem da Europa, EUA, Canadá, América Latina para se tratarem com os médicos cubanos (2).

“Segundo a New England Journal of Medicine, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.

O que nos importa é a negativização que sempre acompanha a maldade. O preguiçoso olha para o trabalhador e diz que ele não está em casa para assistir televisão à tarde com a família. O alcoólatra chama de chato quem não bebe bebida alcoólica. Médicos que não tem o menor interesse em encarar uma vida em áreas carentes criticam a falta de estrutura destes lugares.


Imagina a cena: uma vila pobre no interior de Minas Gerais. Uma criança pisa em um caco de vidro. O dono do bar joga álcool e coloca fumo no pé da criança. Esta é uma cena real e corriqueira no Brasil.

Um médico tem sempre muita utilidade, mesmo sem ter acesso a exames sofisticados ou a hospitais. Poderia, por exemplo, fazer a sutura no pé desta criança.

Uma pessoa tem desidratação. Outra tem diarreia. Uma tem micose e a outra tem dor de ouvido.

Um médico sem recursos tecnológicos consegue fazer muita coisa boa.

A principal estrutura que um médico precisa para tratar grande parte das doenças é saber fazer diagnóstico clínico sem ficar dependente de milhares de exames.




Tendo médicos, aos poucos, pode-se estruturar melhor o posto de saúde da vila. Por exemplo, o milagre da eletrônica faz com que um eletrocardiograma seja relativamente barato e simples de ser usado.

Acontece que o médico da vila terá que saber de tudo: cardiologia, ginecologia, pediatria, etc. Ele será um médico generalista – e as escolas de medicina formam médicos cada vez mais especializados, cada vez mais dependentes de exames (mesmo para os diagnósticos mais simples). Ou seja, médicos que não entendem das outras matérias que não a dele (3).



Moro em uma cidade que tem 239 anos. Aos poucos, ela foi levando água encanada a todos os bairros.
Imagina se os maldosos de plantão dissessem que não adianta levar água para o bairro pobre porque as pessoas não têm alimentação adequada?

Os negativistas também podem dizer: de que adianta levar escola para uma criança que mora em uma casa que não tem luz?

A maldade sempre encontra problema em tudo.

Alguns problemas são reais. São desafios que devemos enfrentar e vencer. Enfrentar com paciência, dedicação, ternura e disciplina.

Ter meta, objetivos e sonhar com a solução de problemas é fundamental.

Uma caminhada começa com um pequeno passo.



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(1) “Segundo o último levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina), feito em 2012, o Brasil abriga 388.015 médicos, cerca de 1,8 por mil habitantes. A Argentina tem 3,2, Espanha e Portugal têm 4 e Inglaterra, 2,7. Ainda assim, a quantidade de médicos brasileiros é considerada razoável, mas não resolve o problema de saúde do país porque apenas 8% dos profissionais estão em municípios de até 50 mil pessoas. E municípios desse porte representam quase 90% das cidades”. Drauzio Varella

(2) Qualquer médico que venha de fora do Brasil deve ser muito bem avaliado. Não importa de onde vier, se não for aprovado deve ser rejeitado.

(3) Todo médico tem o direito de escolher onde trabalhar. Nada deve ser impositivo. Caso existam lugares nos quais médicos brasileiros não queiram trabalhar, que se contrate médico de outros países para suprirem estas vagas. 



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3 comentários:

  1. Atenção: nenhum comentário com linguajar ofensivo é liberado para publicação.

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  2. sempre me surpreendo com a capacidade que a alguns setores da sociedade brasileira tem de colocar interesses coorporativistas acima do bem comum,e o fazem sem a menor vergonha na cara .nessas horas sinto vergonha de ser brasileira.

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  3. Bem interessante. Também me deparo com pessoas que, manipuladas pela Globo e por esse negativismo, que não se conformam com a vinda dos médicos cubanos. Preferem apoiar essa casta mafiosa e antiética que, além de não querer trabalhar no interior, não bate ponto, trabalha 1 hora por dia e ganha por 4 ou 8 horas, como aconteceu recentemente em Joinville/SC.

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