domingo, 7 de janeiro de 2018

Sono é o elixir restaurador e transformador do cérebro. Vários benefícios do sono para seu corpo e seu aprendizado.







Amigos do site Psicologia Racional,

compartilho o texto abaixo para você se entender que qualidade de vida está diretamente relacionada à qualidade do sono. 

Proteger o patrimônio

O melhor patrimônio de que dispomos para dar nossa contribuição máxima ao mundo somos nós. Se não investimos em nós mesmos - em nossa mente, nosso corpo e nosso espírito - prejudicamos a nossa ferramenta mais eficiente e confiável. Uma das maneiras mais comuns de prejudicar esse patrimônio, principalmente no caso de pessoas ambiciosas e bem-sucedidas, é dormir pouco.

Se deixarmos nosso instinto workaholic tomar conta, seremos engolidos por inteiro. Vamos nos desgastar cedo demais. Precisamos ser tão estratégicos conosco como somos com a carreira e a empresa. Temos que controlar nosso ritmo, cuidar da saúde e obter energia para explorar, prosperar e realizar.


... Para uma personalidade hiperativa e workaholic ..., forçar-se até o limite é fácil. Ele explica aos que têm um desempenho acima das expectativas: “Se você acha que é tão forte que consegue fazer qualquer coisa, eis um desafio realmente difícil: diga não a uma oportunidade e tire um cochilo.”

Aos 21 anos, eu também pensava que dormir era algo a evitar. Para mim, era um mal necessário: um desperdício de tempo que poderia ser usado produtivamente; coisa para os fracos, para quem não tinha força de vontade. A ideia de ser um super-homem e dormir poucas horas por noite era inebriante. Cheguei a experimentar algumas formas bastante drásticas e pouco convencionais de reduzir as horas de repouso.






Depois de ler um estudo sobre o sono no qual alguns participantes tiveram que dormir apenas 20 minutos de quatro em quatro horas, resolvi tentar. Foi suportável durante algum tempo, mas logo descobri que, embora tecnicamente seja possível sobreviver desse jeito, dormir assim tinha os seus reveses. Por exemplo, descobri que eu ficava tecnicamente acordado, mas que durante esse período o cérebro mal funcionava. Era mais difícil pensar, planejar, priorizar ou ver o panorama mais amplo. Era complicado tomar decisões ou fazer escolhas, e quase impossível discernir entre o essencial e o trivial.

Logo ficou insuportável, mas eu ainda teimava que, quanto menos dormisse, mais conseguiria fazer. Portanto, adotei a nova tática de virar uma noite por semana. Então minha mulher, que não aprovava a prática, me mostrou um artigo que mudou completamente a minha opinião sobre o sono. 0 texto questionava a noção de que o sono era inimigo da produtividade e argumentava, de forma convincente, que dormir bem era de fato o propulsor dos altos níveis de desempenho. Lembro que o artigo listava grandes líderes empresariais que se gabavam de dormir oito horas inteiras e que também citava Bill Clinton, que confessara que todos os grandes erros que cometera na vida resultaram da falta de sono. Desde então, tento dormir oito horas por noite.

E quanto a você? Analise sua rotina da semana passada. Dormiu menos de sete horas em alguma daquelas noites? Dormiu menos de sete horas algumas noites seguidas? Pegou-se dizendo ou pensando com orgulho: “Não preciso dormir oito horas inteiras. Posso sobreviver perfeitamente com quatro ou cinco horas de sono”? Bom, embora haja gente realmente capaz de sobreviver com menos horas de sono, descobri que a maioria das pessoas simplesmente ficou tão acostumada a viver exausta que se esqueceu de como é estar totalmente descansada.

O não essencialista considera o sono mais um fardo numa vida já cheia de exigências e compromissos. O essencialista, por sua vez, sabe que o sono é fundamental para que possa funcionar em um nível elevado de contribuição quase o tempo todo. É por isso que, de forma sistemática e deliberada, dormem as horas necessárias para assim fazer mais, realizar mais e explorar mais. Ao “proteger o próprio patrimônio”, conseguem enfrentar o dia a dia com uma reserva de energia, criatividade e capacidade de resolver problemas para usá-la quando necessário ao contrário dos não essencialistas, que nunca sabem quando nem onde serão vencidos pela própria fadiga.

Os essencialistas escolhem fazer uma coisa a menos agora para fazer mais amanhã. Sim, é uma concessão. Mas, de forma cumulativa, essa pequena perda traz grandes recompensas.

Não Essencialista

PENSA:
Uma hora a menos de sono significa uma hora a mais de produtividade
Dormir é para os fracos
Dormir é um luxo.
Dormir provoca preguiça.
Dormir nos impede de “fazer tudo"

Essencialista

SABE:
Uma hora a mais de sono significa várias horas a mais de produtividade muito maior
Dormir é para quem tem alto desempenho.
Dormir é prioridade.
Dormir estimula a criatividade.
Dormir permite alcançarmos o nível máximo de contribuição mental.





Para acabar com o estigma do sono

No famoso estudo com violinistas que Malcolm Gladwell popularizou como a “Regra das 10 Mil Horas”, K. Anders Ericsson descobriu que os melhores violinistas passavam mais tempo estudando do que os colegas que eram apenas bons. Esse resultado comprova a lógica do essencialista ao mostrar que a maestria exige esforço concentrado e deliberado. É encorajador aprender que a excelência está em nossa esfera de influência e não é uma bênção concedida apenas aos naturalmente mais talentosos. Mas também chega muito perto de estimular a mentalidade não essencialista de “tenho que fazer tudo”, esse mito pernicioso capaz de justificar mais e mais horas de trabalho com um retorno cada vez menor.

No entanto, tudo fica muito claro quando examinamos uma descoberta menos conhecida do mesmo estudo: que o segundo fator mais importante para diferenciar os melhores dos bons violinistas era, na verdade, o sono. Os melhores violinistas dormiam, em média, 8,6 horas por dia: cerca de uma hora a mais do que a média dos americanos. No período de uma semana, também cochilavam, em média, 2,8 horas à tarde: cerca de duas horas a mais do que a média. Os autores do estudo concluíram que o sono permitia que esses músicos de alto desempenho se recuperassem para estudar com mais concentração. Portanto, além de estudar mais, eles também produziam mais resultados naquelas horas de estudo porque estavam mais descansados.

No artigo “Déficit de sono: o exterminador do desempenho” publicado na revista Harvard Buszhess Review, Charles A. Czeisler, professor de Medicina do Sono da Faculdade de Medicina de Harvard, explicou como a privação de sono prejudica a performance. Ele compara o déficit de sono a beber em excesso e conclui que virar uma noite (ou seja, ficar 24 horas sem dormir) ou passar a semana dormindo apenas quatro ou cinco horas por noite “induz uma debilidade equivalente à causada quando um indivíduo está com nível de 0,1% de álcool na corrente sanguínea. Pense bem: jamais diríamos, como ele é trabalhador! Passa o tempo todo bêbado!', mas continuamos a exaltar quem sacrifica o sono para trabalhar”.

Embora o sono costume ser associado ao descanso do corpo, pesquisas recentes mostram que na verdade o sono descansa mais o cérebro. Um estudo da Universidade de Liiebeck, na Alemanha, comprova que uma boa noite de sono pode aumentar o poder cerebral e melhorar a capacidade de resolver problemas.

No estudo, publicado na revista Nature, mais de 100 voluntários receberam um quebra-cabeça numérico com um detalhe pouco convencional: era preciso descobrir um “código oculto” para encontrar a resposta. Os voluntários foram divididos em dois grupos; um pôde dormir oito horas ininterruptas, o outro foi interrompido enquanto dormia. Então os cientistas observaram quais voluntários encontraram o código oculto. O resultado foi que, comparando-se aos voluntários que não dormiram bem, o dobro de pessoas do grupo que dormiu oito horas resolveu o problema. Os pesquisadores explicaram que, enquanto dormimos, o cérebro trabalha intensamente para codificar e reestruturar informações. Portanto, quando acordamos, o cérebro pode ter feito novas conexões neurais e, assim, permitir uma variedade maior de soluções para os problemas, literalmente da noite para o dia.

Uma boa notícia tanto para quem acorda com as galinhas quanto para quem vai dormir com as corujas: a ciência mostra que até um cochilo pode aumentar a criatividade. Para dar apenas um exemplo, um relatório do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que até um único ciclo de REM - rapid eye movement ou movimento rápido dos olhos - melhora a integração de informações não associadas. Em outras palavras, basta um breve período de sono profundo para nos ajudar a fazer o tipo de conexões novas que nos permite explorar melhor o mundo.

Resumindo, é o sono que nos permite funcionar no nível máximo de contribuição e realizar mais em menos tempo. Embora a cultura do super-homem que não precisa dormir ainda persista, o estigma está diminuindo, graças, em parte, a alguns grandes líderes - sobretudo em setores que costumam enaltecer aqueles que viram as noites - que se gabaram publicamente de dormir oito horas seguidas. Essas pessoas (muitas delas verdadeiros essencialistas) sabem que hábitos de sono saudáveis lhes dão uma imensa vantagem competitiva.

Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, é um deles:
“Fico mais alerta e penso com mais clareza. Simplesmente me sinto muito melhor o dia inteiro depois de dormir oito horas.” Outro é Mark Andreessen, um dos fundadores da Netscape e ex-limitador do sono que costumava trabalhar até altas horas da madrugada e mesmo assim estava em pé às sete da manhã. Ele confessou: “Eu passava o dia inteiro com vontade de voltar para casa e dormir.” Hoje sabe a importância do sono: “Se durmo sete horas meu desempenho já se altera. Seis e ele fica abaixo do ideal. Cinco é um grande problema. Quatro me transformam em zumbi.” Nos fins de semana, ele dorme 12 horas ou mais. “Faz uma grande diferença na minha capacidade de ação”, explicou.

Esses executivos foram citados em um artigo intitulado “Dormir é o novo símbolo de status dos empreendedores de sucesso”. Nancy Jeffrey, do The Wall Street journal, escreveu:
"É oficial. O sono, essa commodity valiosa nos estressados Estados Unidos, é o novo símbolo de status. Antes desdenhado como um defeito de gente fraca - os mesmos supertrabalhadores da década de 1980 que gritavam que “almoçar é para perdedores" também acreditavam que “dormir é para imbecis" -, o sono está sendo promovido como o elixir restaurador da mente dos executivos criativos. A isso podemos acrescentar que também é o elixir restaurador da mente do essencialista perspicaz."

Em uma reportagem do The New York Times, Erin Callan, ex-diretora financeira de um banco de investimentos, contou:
"Numa festa com o pessoal do trabalho, em 2005, uma colega perguntou ao meu marido o que eu fazia no fim de semana. Ela me via como alguém cheia de energia e intensidade. “Ela anda de caiaque, faz escalada e depois corre meia maratona?", brincou. “Não", respondeu ele com simplicidade; “ela dorme." Era verdade. Eu passava os fins de semana recarregando a bateria para a semana seguinte."




Portanto, se o estigma do sono ainda existir no seu local de trabalho, você pode tomar a iniciativa de estimular explicitamente o ato de dormir. Caso pareça radical, veja que os muitos benefícios do sono mais criatividade, maior produtividade e até menos despesas com assistência médica - têm o potencial de afetar diretamente o lucro da empresa. Com isso em vista, não é tão difícil assim pensar na possiblidade de o seu gestor ou o departamento de recursos humanos desenvolverem uma política para incentivar os funcionários a dormir mais. Por exemplo, Charles Czeisler, de Harvard, propôs uma política na qual nenhum funcionário poderia ir trabalhar dirigindo depois de virar a noite viajando, e outras empresas permitem que os funcionários cheguem mais tarde se tiverem feito hora extra na noite anterior.

Autor: Greg Mckeown

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